“Esta erva é a que faz garrafada no norte…”

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Depois de um recesso longo de fim de ano, reuni forças para voltar a escrever, e já vou começar com um tema brabo.

Como minha experiência tem sido bastante rica não assistindo televisão, embora a parte de esportes ainda continue ativa, me deparei com um vídeo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falando sobre a descriminalização do uso da maconha.

Embora em certo momento da sua vida ele tenha se esquecido de algumas coisas pelas quais lutou, nesse ponto acho que sua argumentação é válida.

Ele, ao lado de muitas outras figuras, tem defendido a descriminalização da maconha. Importante definir aqui que isto é diferente de legalização. O que eles (e este autor) defendem é que o uso não seja enquadrado na lei 13.343, e sim tratado na esfera da saúde pública.

Acho um contra-senso a lei punir o usuário de maconha e não punir o de álcool, que é o que mais mata em acidentes de trânsito, brigas em estádios de futebol, festas e outros fatores.  A conduta é que deve ser criminalizada. Sou contra a legalização também, pois é uma droga que causa dependência, assim como o álcool, que já goza de alguma legislação que, em tese, deveria limitar o seu uso até uma determinada idade.

No Texas acontece o lado contrário, os dois são punidos. Se você for flagrado bebendo na rua, dependendo da sua situação, pode ser preso. O mesmo ocorreria com alguém usando maconha. Isso é um retrocesso.

Descriminalizar a maconha, com certos limites que explicarei adiante, desmontaria toda uma cadeia de crimes que vai desde a entrada da droga pela fronteira até as favelas. Isso também pouparia uma série de recursos hoje gastos com pessoal, basicamente pra prender pobres e traficantes que muitas das vezes nunca sequer saíram da favela onde vivem, enquanto os ricos conseguem fumar dentro de suas casas. O crime maior não está aí.

Isso é um desperdício de dinheiro público. É como o exemplo do livro “1984” de George Orwell, sempre estamos em guerra, estamos sempre motivados, gastando dinheiro contra um inimigo fictício, tão denso quanto uma névoa. Mas nunca sequer perguntamos se é este mesmo o inimigo.

Sou a favor da descriminalização impondo as mesmas regras que são aplicadas a outros produtores: controle de qualidade, impostos, estabelecimentos específicos para comercialização, regras pra se gerenciar a venda, restrições quanto ao uso, como por exemplo acontece hoje com a proibição de uso de cigarro em ambientes fechados, campanhas de prevenção onde os efeitos do uso sejam alertados, assim como é feito com o cigarro de tabaco e o álcool em geral.

Aí vem outra pergunta que provavelmente o leitor esperto já pensou: Isso é Brasil cara, como isso poderia dar certo aqui? Isso dá certo só em países desenvolvidos…

Pois é, acho que já está mais do que na hora de pensarmos como Brasil desenvolvido e não mais como o coitadinho subdesenvolvido.

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12 comentários sobre ““Esta erva é a que faz garrafada no norte…”

  1. Biqueira acho que houve um equívoco nessa parte:

    “Sou a favor da descriminalização impondo as mesmas regras que são aplicadas a outros produtores: controle de qualidade, impostos, regras pra se gerenciar a venda, campanhas de prevenção onde os efeitos do uso sejam alertados, assim como é feito com o cigarro de tabaco e o álcool em geral.”

    Não seria “Sou a favor da legalização…” ?

    Abraço!

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    1. Então, legalização seria liberar o consumo e a venda sem qualquer restrição de venda, como se fosse um doce. Em teoria a descriminalização tornaria o uso da maconha, em termos legais, similar ao uso de álcool. Digo isso porque quantos bêbados não vemos na rua matando no trânsito, ou arrumando confusão nos estádios de futebol? Enfim, por que o usuário de álcool é preso “apenas” depois de alguma ocorrência e não pelo uso em si e o de maconha já lhe é tirado a prerrogativa da inocência, apenas pelo uso? Acho um contra-senso.

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      1. Então o álcool e o cigarro são descriminalizados, e não legalizados?
        Mas enfim, é apenas um termo.
        Sou contra legalização ou descriminalização da maconha, me baseando apenas pelo país em que vivemos, mesmo tendo o hábito de fumar. A maconha te deixa improdutivo, e o problema esta em como é utilizada. Sobre os problemas de saúde, eles entram no mesmo tópico do álcool e cigarro. Apenas sou contra pelo fato da improdutividade. E o Brasil não esta desenvolvido ainda, pois há muitos problemas a resolver antes, como educação, saúde, os desastres naturais que acontecem, assassinatos, mortes, etc.

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      2. Concordo com a última parte, acho que esse é um problema bobo se compararmos com os desafios que temos na educação. Mas se por um milagre divino o nosso sistema educacional funcionasse, acho que essa seria uma das próximas prioridades a serem discutidas pois envolve muita coisa. Concordo que a maconha é prejudicial, em alguns casos causa dependência também, mas o que dizer do álcool? O meu ponto é que muitos esforços são despendidos para reprimir algo que não é o principal entrave para o nosso desenvolvimento, todos esses esforços poderiam ser dirigidos para a educação, mas isso não ocorre.

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  2. Putz se vc é a favor sou contra… Agora falando sério considero uma falácia isso de que descriminalizar a maconha acabaria com o tráfico. A questão da criminalidade não passa só por essa questão. Considero o fator social muito mais forte para o aumento ou diminuição desta. Transformar a maconha em um novo “tipo de bebida” serviria para atender a lógica do capital, ou vc acha que predominaria no mercado a maconha familiar, na qual cada um planta a sua, ou seria igual as bebidas e as milhares de marcas e propagandas destas que nos inundam na tv e mercados diariamente. Outra coisa considero muito suspeita essa atitude do “ilustríssimo” ex-presidente FHC, quando governo defendia a política anti-drogas norte americana e agora ao lado de Bill Clinton “defendem” a maconha. Para mim isso tem cheiro de lobby de grandes empresas de olho nesse mercado. A lógica da maconha vai seguir a do cigarro no Brasil, que tem altos impostos, regularizado e venda restrita, mas não impede a chegada de produtos mais baratos e contrabandeados do Paraguai.
    Portanto, descriminalizar não resolveria para mim nenhum dos problemas:
    – tráfico (continuaria e pelo menos atualmente permite a circulação de dinheiro na periferia, é triste mas é verdade)
    – saúde pública: a bebida é legalizada e por isso é mais consumida e causa mais problemas. Agora libera a maconha e veja se as pessoas usarem “sem moderação” o que ocorre?
    – Capitalismo: será dominado por grandes empresas, sem ilusão da volta dos anos 60 com cada um cuidando de sua própria “plantaçãozinha”.

    Abraços

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    1. Não disse que acabaria o tráfico, mas acho que grande parte dele e grande parte dos gastos para combatê-lo seria diminuído drasticamente. E é verdade, a questão da droga passa pela questão social, mas essa, estamos longe de resolver por agora. Ela já atende a lógica do capital, apenas ainda não está institucionalizada. Concordo sobre o que disse a respeito do FHC mas pra mim o que realmente é importante pensar e que você mencionou é o segundo problema, o de saúde pública. No entanto, não acho que a culpa é do consumo do álcool, mas sim um problema social e que todos nós sabemos de onde vem: educação.
      Quanto ao capitalismo, o que ele ainda não dominou?
      Valeu pelo comentário, tão importante quanto concordar é discordar.

      Abraço

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    1. Caro Chico, peço desculpas pela intimidade, mas nesse ponto a sua experiência de anos no cenário político conta muito. Se o FHC tá no meio, com certeza o lugar está fedendo…
      Provavelmente ele tem interesses, afinal de contas, precisa pagar a compra de votos da re-eleição. Se bem que isso ele já pagou fraudando e privatizando empresas públicas junto com aquele grande calhorda do José Serra.

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