UBER educação – Professor delivery

Prédios_em_Ribeirão_Preto_SP
Vista da área central do Município de Ribeirão Preto-SP. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ribeir%C3%A3o_Preto

Tenho que admitir, em certos momentos a classe política consegue me surpreender negativamente além dos disparates, covardias, absurdos e desperdícios de tempo habituais.

Agora a novidade ficou por conta da prefeitura municipal de Ribeirão Preto-SP que, preocupada com o alto índice de faltas e abonos em períodos inferiores a 30 dias por parte de professores da rede pública municipal, resolveu criar um projeto apelidado de Uber do professor. Segundo o projeto, o professor seria avisado com 30 minutos de antecedência e teria outros 30 para comparecer à escola, ou seja, em 1h ele seria avisado via aplicativos/redes sociais e planejaria sua aula nesse tempo. Imaginem a qualidade da aula que seria dada.

O que está por trás disso? Sem levar em conta a falta de preocupação com as condições de trabalho do professor e sua saúde, está em evidência uma das primeiras consequências da aprovação da ampliação da terceirização: com essa medida, a prefeitura se isenta de construir relação de vínculo com os professores, evita concursos públicos, mercantiliza a educação pública e, de quebra, põe a culpa da falta de professores nos direitos trabalhistas adquiridos.

Se há problemas de faltas excessivas por parte dos professores concursados, que se investigue isso, usem os professores emergenciais, enfim, usem a estrutura já montada para essa situação. Se quiserem destruir a educação que deem outro nome a isso que não seja a flexibilização ou modernização das leis trabalhistas. Isso cheira mal.

Quando discuto política com amigos sempre me refiro à necessidade do Brasil ser construído por pessoas melhores do que aquelas que de fato estão no poder, tendo em vista que nossa câmara de deputados é um cabide de empregos pra gangsteres, traficantes, vigaristas e pessoas que não sabem interpretar um texto de 5 linhas. Quando vejo o senador Cristovam Buarque votando a favor da reforma trabalhista (como ela foi proposta) e que o projeto do Uber professor foi elaborado por Suely Vilela — doutora pela USP e dona de um currículo invejável, instituição a qual já ocupou o cargo de reitora — vejo que o meu raciocínio é linear, confuso e vago, a situação é muito mais complexa do que isso.

Tenho visitado alguns Institutos Federais de Educação do Paraná e Santa Catarina e conversado com amigos de São Paulo e Minas Gerais e notei que há muita coisa boa funcionando, professores em geral motivados e contentes com as condições de trabalho. Ainda há redutos de prosperidade no Brasil, é preciso lutar para mantê-los.

Sugiro então que criemos o UBER vereador, ou o UBER deputado/senador: quando um deles faltar a alguma sessão plenária, o cidadão pode ser acionado e em até 1 hora comparecer à câmara, não seria legal?

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2 comentários sobre “UBER educação – Professor delivery

  1. Este é um absurdo dos absurdos, professor Delivery! Meu Deus, onde vamos parar? Realmente a função de político Uber seria uma ótima contraproposta. Para o pior, nunca há limites…

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