Por que créditos suplementares foram motivo para impeachment e compra de votos não?

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Foto:  (Ueslei Marcelino/Reuters). http://exame.abril.com.br/brasil/como-3-consultorias-avaliam-o-primeiro-ano-de-temer-no-poder/.

O globo (clique aqui) já denunciou que o governo já empenhou 65% da verba de emendas parlamentares para deputados e senadores da situação previstas para o ano de 2017. Trata-se de uma estratégia suja de comprar votos dos deputados que hoje votarão a denúncia por CORRUPÇÃO passiva do interino Michel Temer (PMDB), apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Se tem juiz que quer aplicar a teoria do domínio do fato, essa não é uma oportunidade também?

Mas como funciona essa compra “lícita”? As emendas são utilizadas pelos parlamentares para fazer pequenas “obras” (agrados) em suas bases eleitorais, assim, o governo libera essas verbas e os nobres parlamentares se comprometem a votar com o governo. Dos 6.1 bilhões previstos para 2017, 4 bilhões já foram liberados após o vídeo em que Joesley Batista grampeou o interino e expôs a lama em que eles atuam, quem não se lembra do “Temos que manter isso aí” do nosso interino? Segundo o globo, antes do diálogo entre Joesley e Temer, 89.44 milhões haviam sido autorizados em emendas (maio). No dia 19 de Julho, esse montante pulou para 2.1 BILHÕES. Enquanto isso, a UERJ suspende as atividades do semestre por falta de verbas.

Outra velha tática de Temer é exonerar Ministros que também são deputados , com isso, aumenta um pouco seus votos. Já foi feito isso na votação do Retrocesso trabalhista. Para essa votação 10 ministros foram exonerados:

  • Antonio Imbassahy (PSDB-BA), da Secretaria de Governo;
  • Bruno Araújo (PSDB-PE), das Cidades;
  • Fernando Coelho Filho (PSB-PE), de Minas e Energia;
  • Leonardo Picciani (PMDB-RJ), do Esporte;
  • Marx Beltrão (PMDB-AL), do Turismo;
  • Maurício Quintella (PR-AL), dos Transportes;
  • Mendonça Filho (DEM-PE), da Educação;
  • Osmar Terra (PMDB-RS), do Desenvolvimento Social;
  • Ronaldo Nogueira (PTB-RS), do Trabalho;
  • Sarney Filho (PV-MA), do Meio Ambiente

Em reportagem da BandNews (Clique Aqui), foi levantado que Rodrigo Maia (nosso possível futuro presidente) gastou mais de 600 mil reais — só com combustível — para voltar de Brasília-DF para Rio de Janeiro-RJ em três meses em jatinhos da FAB (Força Aérea Brasileira). Eliseu Padilha, ministro chefe da Casa Civil, fez 21 vôos para ou de Porto Alegre-RS, gastando 693 mil reais. Se o primeiro tivesse se deslocado apenas por vôos comerciais, teria economizado aproximadamente 545 mil reais, o segundo, a economia estaria próxima aos 600 mil. Ou seja, que república suporta esse tipo de farra?

E ainda tem gente preocupada com Maduro e a nova constituinte na Venezuela, pelo menos lá, em que pese as denúncias de fraude na eleição, os venezuelanos escolheram seu próprio presidente. Por aqui, as chamadas “pedaladas” fiscais custaram 52 bilhões aos cofres do banco Central e teve como resultado o impeachment — aqui obviamente estou sendo inocente e acreditando que a manobra não foi puramente política — no entanto, a compra de votos por 4 bilhões não é considerada crime.

Enfim, Ciro Gomes já disse que a denúncia que será votada hoje, por ter sido feita às pressas, não tem muita força e pode ser derrubada, no entanto, segundo ele, há uma outra denúncia baseada na delação de Eduardo Cunha que de fato irá acertar Temer em cheio, lá constaria até uma lista com os valores pagos aos deputados pra votar pró impeachment.

E segue esse mar de lama no país.

 

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