Quão idiota e machista as propagandas de cerveja podem ser? II

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O feminismo é necessário.

Com essa imagem gentilmente roubada de um amigo, inicio mais um post sobre as propagandas machistas e idiotas de ALGUMAS cervejarias. Quando fiz o primeiro post, em 2015, tinha esperança de que algo pudesse mudar, uma vez que as propagandas da Heinneken e Stella Artois, duas empresas que entraram pesado no mercado brasileiro, jamais exploraram a figura feminina como outras o fazem. No fim, acho que vou criar um post fixo com esse tema e ir atualizando, pois a situação se repete, em especial nas cervejarias de menor alcance, que utilizam esse marketing ofensivo para angariar consumidores à qualquer custo.

A foto acima foi tirada em um supermercado em Ribeirão Preto-SP. O fato das duas latas estarem lado a lado produziu um efeito semiótico no autor da foto, depois nesse que aqui vos escreve. Mulher, naturalmente fraca e frágil, toma cerveja fraca, e a lata tem que ser rosa; homem, naturalmente forte, toma cerveja de macho, cerveja forte, pelo menos para os marketeiros da cervejaria Proibida. Essas mensagens aparentemente podem passar despercebidas ao consumidor em geral, no entanto, legitimam toda uma cadeia de comportamento que tem a mulher como objeto, que culmina em olhadas nada discretas para a bunda; “E aí princesa?”; “Lá em casa hein?”, cretinices com as quais as mulheres convivem desde a adolescência.

Observem a propaganda da Conti Bier:

Interessante, por que motivo não usam a imagem de um homem sendo despido? Obviamente isso seria um contrassenso, uma vez que esse comportamento, com raras exceções, não obteria sucesso de vendas com o público feminino pois não é o público alvo das cervejarias, embora as mulheres também sejam consumidoras, PASMEM!

Observem mais um da mesma Conti Beer:

Notem que as propagandas também têm um nível de complexidade rasteira, abusam do estímulo visual puro e simples, mulheres vestidas de branco, mandando beijos, com roupas sensuais, e um homem sonhando com tudo isso. Para a Conti, as mulheres estão ali pra isso, entreter e servir o consumidor HOMEM.

Agora mudamos para a Skol:

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Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203399818310543&set=p.10203399818310543&type=3

Quem não se lembra do “Esqueci o “não” em casa” da Skol? Acima a resposta de algumas delas. Para a Skol, seria melhor que as mulheres não dissessem não no carnaval, afinal de contas, elas estão lá pra divertir os homens, não é mesmo?

Tá bom, vamos mudar para a Nova Schin, do grupo Brasil Kirin:

Essa propaganda não consigo nem comentar.

Que tal essa então:

Primeiro: Ninguém TEM mulher em casa. As pessoas se casam, moram juntas, se relacionam e sentem a necessidade de viver algo em comum, mas nenhum HOMEM possui uma MULHER em casa, ao contrário do que a Itaipava pensa e promove. Outra coisa, não consigo entender a maneira como geralmente os homens, em conversas de homens, se referem às suas companheiras, como se fosse um fardo o casamento, como se fosse um sofrimento, perda de liberdade. Aí eu me pergunto: se é tão difícil assim, por que continuar junto? Por que não se separar e viver essa vida de liberdade tão aclamada? Moro junto a alguns anos e jamais tive esse sentimento, pelo contrário, se moro com alguém é porque quero estar junto.

Enfim, senti necessidade de atualizar o post pois a situação permanece. Afinal, quem não se lembra do discurso do nosso interino no dia da Mulher? Para ele, elas são grandes economistas, pois vão ao supermercado diariamente e conhecem a oscilação dos preços, ou seja, as grandes economistas do Brasil se formaram nos supermercados e não frequentaram as Universidades. Aliás, o processo de desmonte está em curso, não me surpreendo se, com a permanência dessa mentalidade, os cursos de economia sejam ministrados em supermercados mesmo, porque as Universidades sofrem como nunca sofreram nesse pós-golpe, mas isso é tema para outro post.

Por fim, fica a mensagem de um texto da Vice Presidente de Marketing da Heineken: “Não precisa explorar mulher para vender cerveja”. O texto na íntegra você encontra AQUI.

Como disse no primeiro post Quão idiota e machista as propagandas de cerveja podem ser?, se você acha que isso é apenas uma questão de implicância, de certo, você é o consumidor(a) que o mercado quer.

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2 comentários sobre “Quão idiota e machista as propagandas de cerveja podem ser? II

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