Como o Basquete e a Geografia se complementam para explicar conflitos na antiga Iugoslávia.

Divac (esquerda) e Petrovic, jogando juntos pela antiga Iugoslavia
Divac (esquerda) e Petrovic, jogando juntos pela antiga Iugoslavia

Mais uma vez, um post aqui do blog é pensado trocando idéias com outras pessoas e com leves doses de álcool no corpo do pobre autor que vos escreve.

Pois bem, a ESPN fez um especial chamado 30 for 30, em comemoração aos 30 anos da emissora. São vários documentários que abordam o esporte e, como este está inserido num contexto social, histórico e geográfico, a produção também aborda tais temas.

Um deles chama-se Once Brothers, em alusão a amizade entre Vlade Divac, da Sérvia, famoso por jogar nos Los Angeles Lakers ao lado de Magic Johnson, e Dražen Petrović,  croata, que atuou pelas seleções da Iugoslávia e Croácia, além de New Jersey Nets, Detroit Pistons e Portland Trail Blazers, na liga americana.

A amizade dos dois começa na seleção Iugoslava. Ambos jogadores eram fantásticos, mas Petrovic despontava como um dos maiores jogadores na sua posição (SG). Os dois jogares ficaram muito próximos nos Estados Unidos. Rapidamente Divac despontava em LA ao passo que Petrovic tinha pouco tempo de jogo

Durante o campeonato europeu em 1989, sediada pela própria Iugoslávia, Petrovic, Divac, Kukoc entre outros dominaram o torneio e foram campeões em cima da Russia. Ao mesmo tempo, o mundo experimentava uma série de mudanças, queda dos regimes comunistas, queda do muro de Berlim e, não menos intensa, Croácia, Eslovênia e Macedônia começavam a discutir seus territórios, suas independências.

Até que em 1990, no mundial da Argentina, após o título da Iugoslávia sobre a União Soviética, um torcedor entrou com uma bandeira da Croácia e Vlade Divac o afastou, com o intuito de mostrar que aquele não era o local para aquele protesto, pois o time de basquete era unido e todos jogavam sob a bandeira Iugoslava. No entanto, o gesto foi mal interpretado e Divac foi usado pelos separatistas da Croácia, que o fizeram parecer que estava negando a bandeira e afirmando sua origem Yugoslava. Estava ali quebrada a relação de Divac com Petrovic. Estava ali representado o conflito territorial entre os dois países.

Divac passou a ser odiado na Croácia.

Em 1991, Slovenia e Croácia declaram independência da Iugoslávia. Os conflitos bélicos se acirraram. Era o maior conflito, até então, depois da segunda guerra mundial.

Petrovic morreu num acidente de carro em 1993 e Divac não teve sequer a chance de restaurar a amizade que tinham antes dos conflitos eslavos. Divac sequer pode ir ao enterro em Zagreb, porque fatalmente seria hostilizado.

Em 1995, o confronto ganhou contornos ainda mais graves, após o campeonato europeu ter sido conquistado pela Iugoslávia, com a Croácia em terceiro, os croatas abandonaram a cerimônia de premiação em protesto, algo realmente muito forte e triste. Os mesmos jogares haviam jogado juntos até 1991, e agora demonstravam todo o ódio que sentiam um pelo outro.

Enfim, para não tornar o post longo, o vídeo que deu origem a este post está aqui abaixo, confiram, é realmente emocionante.

  • Lembremos que em 1992, o “dream team” americano foi campeão sobre a Croácia, mas, o que teria acontecido se tivessem jogado contra a antiga Iugoslávia, com Vlade Divac e demais?
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Um dos mais equilibrados torneios de basquete da história.

Pra quem gosta do bola ao cesto os próximos jogos Olímpicos em Londres serão um prato cheio. Vejo 7 países com chance de medalha de ouro, entre eles, é claro, o favorito EUA.

Grupo A

EUA
França
Argentina
Tunísia
Lituânia
Nigéria

Grupo B

Espanha
Austrália
Brasil
China
Grã-Bretanha
Rússia

No grupo A os EUA devem dar as cartas, apesar de estarem sem um pivô (o número 5) bruto, estão sem o Dwight Howard, mas têm o Tyson Chandler – na minha opinião limitadíssimo -, e o Kevin Love, que está mal mas pode acordar a qualquer hora, e tem ótimo aproveitamento da linha dos 3. Tem também Antony Davis, ainda inexperiente e não deve ter muito tempo de quadra.

Teve amistoso que o técnico Coach K colocou o Carmelo Anthony de pivô, não é a dele. Em amistosos até que dá pra enganar, mas na hora que o pau cantar a coisa é diferente, vai cair nas costas do Chandler e do Love. Acho, por incrível que pareça, que o Brasil é o que teria melhores condições de vitória contra eles por ter finalmente conseguido reunir o que tem de melhor, e os pivôs são o ponto forte da seleção brasileira. Varejão e Spliter vem jogando demais e o Nenê, apesar de todas as polêmicas passadas, dispensa comentários. A única chance que o Brasil tem é jogar dentro do garrafão dos caras e torcer pra Lebron James e Kevin Durant acordarem mal no dia.

A França também é perigosa. Tem o ótimo Tony Parker e a ajuda do Diaw e do Batum. Ganhou do Brasil em amistoso recente por 4 pontos e pode complicar.

Argentina apesar de ter uma seleção envelhecida, conta com o combustível Manu Ginobilli, pra mim um dos melhores jogadores do mundo ainda. Além de Scola e Prigioni, é a última olimpíada deste grupo, imaginem a motivação.

Lituânia históricamente complica. Mas nesta edição estão limitados aos chutes do Jasikevicius e ao ala Kleiza, classificam mas não inspiram confiança.

No grupo B a favorita é a Espanha. Apesar do desfalque de última hora do Ricky Rubio, tem uma dupla de pivôs respeitável (Os dois Gasol e Ibaka), além de terem jogadores rodados que trabalham da linha do perímetro, como o Navarro, Calderon e o Rudy Fernandez.

Fora isso sobram Brasil e Rússia. A segunda, acreditem, vai atrapalhar muito. Passearam na repescagem e contam com um Kirilenko que, se não é aquele dos tempos de Utah, ainda é um ótimo ala de força. Além do poste Mozgov, que de vez em quando resolve jogar.

Já o Brasil, nunca esteve tão bem. Não depende apenas de um jogador como nos tempos do brilhante Oscar. Agora temos um ótimo armador que comanda a equipe (Huertas), bons reservas com o Larry e o Leandrinho pra dar suporte. Alex pra marcar firme, pivôs fortes e que sabem jogar. Tá claro o jogo do Brasil, forte na marcação e bola pros pivôs.

Meu palpite é EUA ouro, Espanha prata e Brasil Bronze.