Vai passar. O brilhante fim da melhor Copa de uma geração.

DSCN4489

Hoje tomei a liberdade de pular uma sequência de posts que tinha planejado, onde iria relatar minhas experiências assistindo aos jogos da copa 2014. Portanto, o diário de um apaixonado pelo futebol parte II ficará para uma próxima oportunidade.

Vai passar. O último dia após a Copa soa para este autor como se fosse a noite que não terminou, com aquela ressaca que dói até n’alma. Acho que a letra da música “End of the night” da banda de punk celta americana Dropkick Murphys resume bem o fim desse torneio:

We live for the weekend, each city’s the same,
There’s a bar on the corner
where they don’t know your name.
There’s plenty of drinks, they’ve been savin’ your chair.
It’s our second home, we ain’t goin’ nowhere.

It’s the end, end of the night.
But we ain’t goin’ home.

Como diria nosso glorioso Galvão: “Amigo, acabou…” Mas nós não iremos pra casa, não ainda. Foi o fim da melhor copa que as pessoas da minha geração tiveram oportunidade de ver, os nascidos na década de 80, ao meu ver, não viram nenhuma copa melhor do que esta. Talvez a de 1998, com aqueles golaços (o meu preferido é o do Dennis Bergkamp contra a Argentina).

Com toda a desconfiança de determinados setores da imprensa, governo e da própria população, conseguimos organizar um evento de grande porte, no qual eu fui a favor desde o começo, mesmo com a certeza de que teriam falhas. E aqui aproveito pra fazer um adendo, pois a máfia dos ingressos escancarada pela polícia carioca é um exemplo de que não somos tão mal educados e corruptos quanto muitos adoram vociferar pelas redes sociais. Nunca a Fifa havia sido investigada tão de perto como foi aqui. Mais um adendo àqueles que adoram colocar comparações entre o Brasil e a Alemanha quanto a aspectos que claramente nos são desfavoráveis, e ninguém se orgulha disso, no entanto, o fato de gostar e discutir futebol não me deixa cego quanto a outros fatores que devemos melhorar como país.

Já o Brasil dentro de campo mostrou que está em situação complicada. Ou muda na raiz agora, e com isso conto com o bom senso do próprio Bom Senso através do Paulo André -ex Corinthians e dos políticos pra que mudem a CBF, caso contrário continuaremos onde estamos. E ao leitor que me chamar de oportunista, convido-o a ler meu post sobre o futebol no dia 27 de maio, onde tive a pretensão de analisar nossas competições nacionais e já alertava para a penúria administrativa em que vivemos. Aqui está o LINK.

Mais ainda do que o jogo contra a Alemanha onde fomos batidos por sete tentos, a decisão do terceiro lugar contra a Holanda nos mostrou o quanto somos dependentes de um jogador, o quanto não sabemos jogar coletivamente. Nossos volantes estavam a 100m uns dos outros, passes errados, pouco ímpeto na movimentação ofensiva foram alguns dos ingredientes que nos levaram a tomar outra goleada. Essa tão feia quanto a primeira.

Técnicamente não somos ruins, temos jogadores que são destaques nos seus clubes, embora já tenhamos sido melhores. Então o que ocorre?

A pressão pelo resultado nos atrapalhou? Pode ser, mas não justifica.

A convocação foi mal feita? Não, ou o caro leitor acha que com Robinho, Kaká e Ronaldinho Gaúcho a coisa seria diferente?

Se o leitor está me seguindo já sabe onde vamos chegar. Primeiro, não somos mais os melhores do mundo, não temos os melhores jogadores e isso é natural, mas precisamos entender isso e ser humildes. Segundo, nossos campeonatos não empolgam nem a Globo mais, e por que isso ocorre?

Podemos enumerar os fatores: um calendário esdrúxulo; horários de jogos absurdos, divisão de verbas totalmente desigual – e aqui existem exemplos que podem ser seguidos, como na própria Alemanha, onde a verba de televisão é dividida igualmente entre os clubes, ou na Inglaterra, onde 70% é dividido e o restante é distribuído em função do desempenho. Quando olho a verba dos grandes no campeonato paulista e a dos clubes do interior, lembro o quão assassina as federações regionais e a CBF têm sido para o futebol brasileiro. Assassinando os clubes do interior as federações aniquilam todo o trabalho de base que poderia revelar jogadores, e além deles, os técnicos.

O post é longo e a revolta também, mas vou tentar finalizar.

Neste domingo torci pra Alemanha, e não foi pela tal rivalidade com a Argentina, que muitos têm entendido como rivalidade contra o povo e o país, mas apenas uma rivalidade sadia. Peço licença novamente para fazer um terceiro e último adendo, vi muita gente legal escrevendo besteira nas redes sociais a respeito de torcer contra a Argentina, geralmente tais pessoas jamais pisaram num campo de futebol ou sequer chutaram uma bola pra entender que a rivalidade é sadia e só passa dos limites quando usada por torcedores que não respeitam uns aos outros. A rivalidade é ótima, do contrário teríamos um público chato como o do tênis nas arquibancadas, sem alma, sem vida.

Assisti ao jogo Argentina e Suiça ao lado deste Argentino. Eu, claro, torci pra Suiça, ele, pela sua Argentina. Conversamos bastante sobre a situação do futebol dos dois países, inclusive entre os intervalos da música "Brasil decime que se siente..."e alguns berros meus com o time suiço. Torcer contra a Argentina no futebol não tem problema algum e é sadio, principalmente quando há respeito entre os torcedores.
Assisti ao jogo Argentina e Suiça ao lado deste Argentino. Eu, claro, torci pra Suiça, ele, pela sua Argentina. Conversamos bastante sobre a situação do futebol dos dois países, nos provocamos, gritamos, inclusive entre os intervalos da música “Brasil decime que se siente…” e digo que foi divertido pra caramba, uma experiência fantástica. Torcer contra a Argentina no futebol não tem problema algum e é sadio, principalmente quando há respeito entre os torcedores.

Torci pela Alemanha porque entendo que o futebol praticado por ela a tempos é maravilhoso, é coletivo, é solidário, é divertido, é irresponsavelmente ofensivo, é simpático. Para nossos irmãos Argentinos que contribuíram demais para as arquibancadas com suas músicas e entusiasmo, o meu muito obrigado por virem e por tornarem os estádios menos leitecomperizados. Lutaram bastante e até tiveram grandes chances de ganhar, Higuain e Messi tiveram suas chances.

O que dizer de Robben e de sua Holanda? Da França com seu jovem e promissor Pogba? Da garra Uruguaia? Da irreverência Colombiana?

Amigos, foi ótimo recebê-los por aqui, voltem sempre!

Reforço: é hora de modificar a CBF e as federações estaduais e isso tem que partir de quem financia o futebol, Ministério dos Esportes e rede Globo, pois é ela inclusive o maior credor (ao lado do próprio governo) dos clubes brasileiros. Só assim chegaremos nas competições não para ganhar, pois sempre somos favoritos, mas pra jogar um futebol que resgate os valores lúdicos de se divertir com o jogo, com alguma organização dentro e fora de campo.

Homenagem do Homer ao gordo mais sujo do planeta.
Homenagem do Homer ao gordo mais sujo do planeta.

 

Enquanto o futebol brasileiro agoniza…

Semelhanças com o romance de William Faulkner (Enquanto Agonizo, de 1930) não podem ser descartadas. No futebol brasileiro, umas 10 ou 15 personagens também são responsáveis pela condução do enredo que fatalmente pode culminar com o falecimento deste esporte por estas bandas. Entre eles citamos Marins, Teixeiras, Havelanges, Farahs e outros narradores desse romance que provavalmente não receberão nenhum prêmio.

Como o nível dos nacionais é horroroso! Público medíocre, jogadores cavando faltas e simulações absurdas, reclamações com o árbitro intermináveis, técnica inexistente, enfim, são muitos os motivos que o torcedor têm pra não assistir a um jogo de futebol.

São tantas as minhas decepções que elas não caberiam num texto, inclusive tenho renegado minhas quartas feiras à noite e domingos em busca de qualquer outra programação possível, desde que não seja assistir Oeste X Corinthians, Chapecoense X Corinthians, Figueirense e Santos, Santos X Flamengo, enfim, uma série de jogos medíocres que nem o mais fanático consegue aguentar.

Prometo que encerro a minha linha de argumentação neste parágrafo com duas situações que mostram o por que temos públicos menores que o campeonato neozelandês. O primeiro ocorreu em Itápolis-SP dia 13 de maio de 2014, no maravilhoso jogo entre Oeste e Ponte Preta as 21h45, pela série B do brasileiro. Já não bastasse o horário péssimo, numa terça feira para um jogo horroroso, a polícia militar proibiu a entrada dos torcedores com chinelo, isso mesmo, mais de 30 pares foram recolhidos na entrada do campo.

Bizarro, mas isso aconteceu.

O segundo fato, um pouco menos bizarro, foi a rodada da série C do dia 25/05, dois dias atrás, pasmem, numa segunda feira! O jogo em questão era Guarani x Guaratinguetá que ocorreu às 21h30 na cidade de Americana-SP,  em virtude da reforma do estádio do Guarani que receberá a delegação da Nigéria para a Copa do Mundo. Detalhe, o jogo terminou 1 X 5 para o Guaratinguetá, imaginem a felicidade dos torcedores do Guarani num jogo que terminou perto da meia noite de uma segunda, com uma goleada contra de 5…

O que quero salientar é que estão destruindo nosso futebol nacional, e como os dirigentes são competentes nisso! Neste ano teve até dirigente que declarou que só paga salário de jogador bom, jogador ruim ele atrasa mesmo. Este dirigente preside um dos clubes mais tradicionais do estado de São Paulo, o Comercial de Ribeirão Preto, cidade que receberá a delegação francesa de futebol. Quanto profissionalismo!

Enquanto outras ligas batem recorde de público, inclusive com os nossos jogadores como astros maiores, as nossas agonizam e são conduzidas de maneira leviana. Ainda bem que vem aí a Copa do Mundo, porque faz tempo que não vejo uma partida de futebol em terras brasileiras e do jeito que a coisa anda, só a Libertadores salva, mais pela disputa e entrega do que pela técnica.

A sorte do futebol é que tem um público extremamente fiel, que embora esteja cansado de ser maltratado, ainda sustenta todo este circo que é o futebol brasileiro. Troque o fanatismo do brasileiro por futebol para qualquer outro esporte e o cenário seria igual ao do volei e basquete, com clubes reféns de patrocinadores que mudam de cidade ano a ano, embora alguns clubes de futebol paulistas já usem essa prática. Estes dois esportes que, coitados, também sobrevivem das migalhas que sobram das ligas de futebol, sofrem com o descrédito do público pois o time pode ser campeão ou vice em um ano e sumir no outro.

Enfim amigos, ou decidimos mudar o cenário emcampando algumas das lutas do Bom Senso F.C ou, a exemplo do romance de William Faulkner, já vamos nos preparar para o longo enterro do futebol nacional, que apesar de ainda vivo, já tem neste autor um filho desgarrado.

Todos acham que somos bananas

As duas últimas semanas têm sido reveladoras de como há uma verdadeira orgia pelo dinheiro no Brasil. Orgia esta praticada por pessoas que já possuem uma vultosa quantidade de capitais acumulados/herdados/adquiridos/roubados/trapaceados e etc.

Digo isso pois uma série de acontecimentos tem surpreendido também este blogueiro, que admite ter sido enganado pela patotinha de Luciano Huck e companhia. Essa patotinha não perde a chance de ganhar dinheiro nem que pra isso tenha que perder o pouco do escrúpulo que não tinha.

Como todos sabem, o episódio da banana com o Daniel Alves despertou a “irreverência” do brasileiro ao tratar de um assunto tão delicado quanto o racismo. Até aí tudo ia até que bem, pois alguém da capacidade intelectual de Neymar bolar uma frase com o intuito de rechaçar uma agressão como aquela até me convenceu num primeiro momento, apesar do modo, digamos, “cordial” do brasileiro encarar as coisas. Como somos bananas! Era tudo uma jogada de marketing, assumo, fui enganado também caro leitor!

Como se isso não bastasse, aparece o almofadas Luciano Huck, ávido por dinheiro como sempre, vendendo camisas de sua “marca” estampando os dizeres da campanha por apenas R$69. Caramba, pra não ser racista basta comprá-la! Não me surpreenderia se o rapaz que jogou a banana for conhecido do Luciano Huck e revelar nos próximos dias à imprensa que foi tudo uma jogada de marketing…

Olha a carinha de bravo dos dois! Deve ser porque as camisetas estão vendendo pouco.

Quem quiser se divertir um pouco veja os links abaixo que o pessoal do Piauí Herald publicou.

http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/herald/celebridades/luciano-huck-patenteia-a-expressao-volta-lula

http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/herald/celebridades/luciano-huck-lanca-grife-contra-a-corrupcao

Mas as relações perigosas entre dinheiro, pessoas e falta de escrúpulos não param por aí. Vou citar os fatos sem uma ordem cronológica, fiquei um tempo fora de órbita e agora reuni uma coletânea de notícias que me deixaram com cara de “Ué?”.

Na foto abaixo aparece o Paulinho da Força, aquele mesmo, ligado aos movimentos sindicais, agora abraçado com o Aécio Neves. Caramba! Quanta mudança, antes aquele discurso inflamado de esquerda até utópica, contra o PSDB e o neoliberalismo, a favor dos direitos dos trabalhadores! Nada disso, o dinheiro pode moldar o seu agir políticamente ao sabor das marés. O Lula com o Maluf doeu, essa apenas surpreendeu porque deste senhor nunca se esperou nada.

Aécio Neves e Paulinho da Força
Paulinho da força mesmo não tendo o sangue azul da turma, quer se juntar à patotinha.

Pra fechar a minha atualização dos noticiários, vejo a foto abaixo numa reportagem do Uol:

ronaldo22132
Detalhe para os dois primeiros comentários…

Ronando Nazário, aquele mesmo que apareceu beijando a careca do Lula, trocando figurinhas com a presidenta Dilma no twitter sobre a organização da Copa… Opa! Peraí, mas ele também é o mesmo que apareceu abraçadinho com o Ricardo Teixeira ex-ladrão oficial da CBF, que inclusive o nomeu para o Comitê Organizacional Local da Copa do Mundo de 2014. Bom, então este talvez não seja tão supreendente assim, ele faz o jogo da prostituição política, e aqui me perdoem as prostitutas, que prestam um serviço legítimo e honesto, Ronaldo mantém relações com todos os lados envolvidos numa promiscuidade sem fim pelo dinheiro.

Ronaldo é peça chave no jogo político atual. Além de ainda possuir grande popularidade, o apoio do ex-jogador é disputado tanto pelos partidos de esquerda quanto os de direita, na realidade, ele é um grande e gordo fantoche de vários entes poderosos do xadrez político, entre eles a rede Globo e Ricardo Teixeira.

Dilma Rousseff e Ronaldo Nazário após a cerimônia de sorteio preliminar da Copa do Mundo 2014
Olha ele aí denovo, agora com a Dilma e ex-governador do RJ Sérgio Cabral

Moral da história, não fique algumas semanas alheio às mudanças de cenário na política brasileira, a volta à realidade pode ser chocante.