O problema é o agora

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Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/05/politica/1504623466_872533.html

Após ler o TEXTO da Eliane Brum ao El País, me dei conta de que estamos num processo moribundo de espera. Esperamos as eleições de 2018, esperamos que lá na frente melhore. Muitos de nós achávamos que o problema era tirar a Dilma, até esses já perceberam que caíram numa armadilha, ou se deixaram cair pelo ódio histórico que se nutre pelo PT e pela esquerda. Após posse do interino, o Brasil experimenta uma época entreguista que não parece ter fim.

Privatizações sem critério, retirada de direitos trabalhistas, declarações machistas do próprio presidente interino no melhor estilho “The Handmaid’s Tale”, 50 milhões em dinheiro achados em bunker de Geddel Vieira Lima – que ocupou vagas no executivo com Lula, Dilma e Temer – e mais um milhão de escândalos que não vou mencionar aqui. Dentre estes, o que mais me perturba é o sucateamento, agora, do ensino público superior.

Ninguém aqui é anjo e acha que dentro da Universidade pública só tem gente do bem. Tem gente que se apropria da estrutura universitária para ganhar dinheiro, o famoso peculato, tem professor que ganha mais de 30 mil pra ir na faculdade 2 dias da semana, enfim, há problemas na estrutura sim, há problemas graves na ligação do conhecimento produzido nas universidades com a sociedade também. Mas isso em nenhum momento pode ser usado para desmontar aquilo que ainda funciona no Brasil, mesmo que aos trancos e barrancos. Enquanto escrevo, segundo o site http://www.conhecimentosemcortes.com.br/, a soma de cortes nas verbas de Universidades públicas e para fomento de Ciência e Tecnologia já ultrapassa os 12 bilhões.

Em qualquer país do mundo, saúde e educação são os últimos dois setores da economia onde se retira recursos em tempos de crise. No Brasil, são os primeiros. A UERJ, que é estadual, vive a maior crise da sua história, sem perspectiva de FUNCIONAMENTO neste semestre. O laboratório SIRIUS do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) que estava sendo construído em Campinas-SP também terá suas obras PARALISADAS. A União já chegou a “sugerir” à UERJ a sua privatização como única saída… Todas as faculdades e institutos de pesquisa públicos passam por um momento delicado e incerto AGORA.

Nesses momentos de crise, com governos conservadores, sempre a solução é a velha receita de bolo: contingenciar. É nesse momento em que se justifica o corte de gastos “na carne”, aquele papinho pra boi dormir, enquanto o discurso é esse, Temer DISTRIBUI bilhões em compra de votos e agrados à parlamentares.

Estamos assistindo a tudo isso sem força pra reagir. São tantos os golpes, são tantos os ataques à educação que estamos próximos do knockout e o juiz já abriu contagem…

Antes lutávamos por mudanças, agora tentamos miseravelmente pelo menos manter os restos daquilo que já identificávamos como precário e retrógrado.

Precisamos ficar em pé, resistir a tudo isso, se não houver luta eles vão passar o trator em tudo, precisamos, ao menos, salvar nossa alma e parte do já combalido e falho sistema de educação.

 

 

 

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UBER educação – Professor delivery

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Vista da área central do Município de Ribeirão Preto-SP. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ribeir%C3%A3o_Preto

Tenho que admitir, em certos momentos a classe política consegue me surpreender negativamente além dos disparates, covardias, absurdos e desperdícios de tempo habituais.

Agora a novidade ficou por conta da prefeitura municipal de Ribeirão Preto-SP que, preocupada com o alto índice de faltas e abonos em períodos inferiores a 30 dias por parte de professores da rede pública municipal, resolveu criar um projeto apelidado de Uber do professor. Segundo o projeto, o professor seria avisado com 30 minutos de antecedência e teria outros 30 para comparecer à escola, ou seja, em 1h ele seria avisado via aplicativos/redes sociais e planejaria sua aula nesse tempo. Imaginem a qualidade da aula que seria dada.

O que está por trás disso? Sem levar em conta a falta de preocupação com as condições de trabalho do professor e sua saúde, está em evidência uma das primeiras consequências da aprovação da ampliação da terceirização: com essa medida, a prefeitura se isenta de construir relação de vínculo com os professores, evita concursos públicos, mercantiliza a educação pública e, de quebra, põe a culpa da falta de professores nos direitos trabalhistas adquiridos.

Se há problemas de faltas excessivas por parte dos professores concursados, que se investigue isso, usem os professores emergenciais, enfim, usem a estrutura já montada para essa situação. Se quiserem destruir a educação que deem outro nome a isso que não seja a flexibilização ou modernização das leis trabalhistas. Isso cheira mal.

Quando discuto política com amigos sempre me refiro à necessidade do Brasil ser construído por pessoas melhores do que aquelas que de fato estão no poder, tendo em vista que nossa câmara de deputados é um cabide de empregos pra gangsteres, traficantes, vigaristas e pessoas que não sabem interpretar um texto de 5 linhas. Quando vejo o senador Cristovam Buarque votando a favor da reforma trabalhista (como ela foi proposta) e que o projeto do Uber professor foi elaborado por Suely Vilela — doutora pela USP e dona de um currículo invejável, instituição a qual já ocupou o cargo de reitora — vejo que o meu raciocínio é linear, confuso e vago, a situação é muito mais complexa do que isso.

Tenho visitado alguns Institutos Federais de Educação do Paraná e Santa Catarina e conversado com amigos de São Paulo e Minas Gerais e notei que há muita coisa boa funcionando, professores em geral motivados e contentes com as condições de trabalho. Ainda há redutos de prosperidade no Brasil, é preciso lutar para mantê-los.

Sugiro então que criemos o UBER vereador, ou o UBER deputado/senador: quando um deles faltar a alguma sessão plenária, o cidadão pode ser acionado e em até 1 hora comparecer à câmara, não seria legal?

Assistencialismo?

Um dos principais pilares do pensamento opositor ao governo PT se não caiu por terra, colocou uma pulga atrás da orelha de tucanos, demos e demais pragas de esquerda e direita: a notícia de que 1,69 milhão de pessoas abriu mão do bolsa família, mais de 10% dos beneficiários. Embora o programa tenha começado com o paquiderme do FHC, através do bolsa escola.

Apesar de uma parte dos primeiros beneficiários ainda continuarem recebendo, o fato de que 12% deles (Valores atuais) abriram mão pode significar três coisas: uma é que o brasileiro não é tão vagabundo assim como dizem, ou o poder aquisitivo aumentou, ou o número de pessoas por família diminuiu. Qualquer uma delas é significativa.

Parece que a crítica de que o bolsa família “dá o peixe e não ensina a pescar” é tão vago quanto acreditar que 100% das pessoas que recebem são honestas. O intuito do programa nunca foi ensinar a pescar, o objetivo sempre foi colocar comida na mesa primeiro, depois vêm todas as outras coisas. Lembrando que isso não é uma política eterna, é momentânea, assim como a política de cotas. Segundo Cristovão Buarque (PDT-DF), se o bolsa família continuar por mais 20 anos, será um fracasso. O programa é o remédio e a EDUCAÇÃO é a cura.

Outra crítica que cai por terra é a de que os nordestinos são os que mais recebem o benefícios, o que é uma verdade parcial, já que Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul recebem bastante financiamento também. Em todo caso, o programa teóricamente chegaria onde se tem mais carência, sob este ponto de vista, justo que chegue mais ao nordeste, pobre e populoso.

Alguns dados do programa bolsa família.
Alguns dados do programa bolsa família.

Não discuto que o programa seja usado como base eleitoreira do PT e demais partidos coligados, no entanto, a tão questionada ineficiência é “questionável” à luz dos novos dados.

Além disso, os valores recebidos atualmente chegam a R$97 por beneficiário. Se alguém acha que é vantagem viver de bolsa família, que abra mão de sua renda e se “beneficie” dos 100 reais por mês.

O salto educacional: Brasil está longe

É notório a evolução econômica e social brasileira nos últimos 10 ou 12 anos, no entanto, o salto educacional, que é o que segura o crescimento, ainda estamos longe de dar.

Seguindo a orientação do Chico Sá, um blog não pode perder o seu caráter de “diário”. Pois bem, este bafudo autor e mais 6 pessoas foram ao estadio prestigiar o jogo Comercial X Juventus no ultimo domingo, pela última rodada do campeonato paulista da série A2. O Juventus, já rebaixado, visitava o Comercial em Ribeirão Preto, que precisava apenas do empate para se classificar, era óbvio que o público iria, domingo de feriado as 10 da manhã…

Não, não era óbvio. Chegamos por volta de 9 e 20 e a fila já era grande, e o melhor, havia apenas 3 bilheterias abertas. Até entendo que a prioridade seja comprar antecipado ou via sócio torcedor, mas isso não justifica a falta de profissionalismo da diretoria comercialina. Fila inexistente, ignorância, falta de respeito com idosos, enfim, tudo o que aconteceria num evento da idade média, e olhe lá… Aqui você é tratado como boi, e daqueles bois bem magros.

A torcida, ignorante, era incapaz de se portar educadamente e simplesmente respeitar a ordem já caótica da fila de ingressos. Resultado, ficamos até as 10 e 25 na fila, ou seja, 25 do primeiro tempo e nada… Foi quando desisti e cansei de ser tratado como um trapo humano e, como eu, muitos procederam desse jeito, entre eles alguns idosos.

Agora volto ao título do post, de que adianta tanto crescimento econômico e social se ainda nos portamos como o mais selvagem dos animais? Não conseguimos organizar um evento para 5000 pessoas. Recentemente Brasil e Argentina sediaram dois torneios de tênis da ATP e, novamente, o nosso foi uma vergonha quando comparado com o Argentino. Ou seja, não é só uma questão de dinheiro.

Essa é a visão que o estrangeiro tem do brasileiro, agora temos um pouco de dinheiro, mas ainda assim somos (continuamos?) estúpidos.