Do ato de perder a fé no SER humano

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Coloco em letras maiúsculas mesmo porque falta praticar o ato de ser e se sentir humano, muito embora muitos cachorros o façam melhor do que pessoas.

Num cenário onde impera a idiotização, o facebook tornou-se uma grande ferramenta que nos ajuda a conhecer a ignorância do ser humano e até onde ela pode chegar. No caso brasileiro isso é levado às últimas consequências.

Ver o paulista reeleger o seu governador com 57% dos votos válidos não é nada assustador quando olhamos para os eleitos da câmara dos deputados e dos senadores de vários estados. Classificada como a mais conservadora desde 1964, a câmara para os próximos quatro anos terá Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro também (sim, elegeram eles também, família reunida),  Celso Russomano, Jardel, Collor, filho de Renan Calheiros (governador de Alagoas), filho de Jader Barbalho foi para o segundo turno para o governo do Pará, Bruno Covas, José Serra, Marco Feliciano e por aí vai. Interessante lembrar que as manifestações de junho de 2013 pediam mudanças e avanços na área política e social, o resultado foi a eleição de uma bancada extremamente conservadora composta por militares, religiosos e ruralistas.

Não bastasse isso, o facebook nos mostra o lado mais vil e cruel do ser humano. Debates sobre a diminuição da maioridade penal terminam com desejos de que aquele que é contra seja atingido por algum ato criminoso cometido por um menor, até por parte dos religiosos esse desejo pelo sangue está presente. Tais pessoas deveriam ser as primeiras a brigar por um conjunto de medidas e programas sociais para que o pobre que ela tanto teme não venha a subtrair algum bem do seu patrimônio. Pois bem, ela faz justamente o contrário, briga para que o pobre continue miserável e para que a polícia puna os criminosos, este tipo de gente não entende que sob tais condições sociais, prende-se um e aparecem mais dois assaltantes, o problema, neste exemplo, não está na punição, está no motivo pelo qual o ser humano é levado a cometer um crime e correr riscos, quanto menos oportunidades, mais ele vai assaltar, roubar e matar.

Vômitos idiotas sobre os programas sociais também estão na moda, já perdi a conta de quanta estupidez já foi escrita e reproduzida também por universitários (incluindo aqueles que foram para o exterior e deveriam ter uma visão mais ampla), sobre o bolsa família e auxílio reclusão. No entanto, quando Fernando Henrique Cardoso declara que o PT consegue se eleger baseado no voto dos menos esclarecidos ele também prova o quanto é mal intencionado. Ou seja, a idiotice do brasileiro é geral, não dá pra atribuir a uma determinada classe social o privilégio de ser idiota. Portanto, se o FHC, com doutorado na Sorbonne dá este tipo de declaração, e como ele a maioria da classe média se idiotiza igualmente, o que esperar das demais pessoas completamente soltas nesse molho bizarro que é a política brasileira?

Determinadas declarações têm passado do cunho político e entrado no ramo da maldade, da falta de educação, na falta de ética e, sobretudo, na falta de humanidade. Exemplos como aquele dado pela torcida do Grêmio há alguma semanas atrás colocam em cheque a minha fé no ser humano.

O único alento que consigo me apegar é ao bom desempenho de legendas como o PSOL, através de figuras como Luciano Genro, Ivan Valente, Jean Wyllys, Marcelo Freixo que tiveram grande alcance e terão papel fundamental para propor e discutir medidas sociais, além disso, terão que lidar com uma bancada extremamente conservadora e inflamada pela idiotização de uma população que vota sem qualquer critério. Além disso, a eleição de Flávio Dino do PC do B no Maranhão derrotando o candidato de Sarney também coloca o foco numa gestão inovadora que poderá ser realizada naquele estado, para o bem ou para o mal, mas queremos mudanças, não?

A cada quatro anos o brasileiro descobre que o país está uma merda e deveria ser a Alemanha, a Suécia ou a Noruega, concentra todos os seus esforços políticos em tirar a figura do presidente ou governador do cargo e se esquece que política é feita nos bastidores, nas câmaras de deputados e vereadores, nas assembléias legislativas estaduais, no senado, na surdina.

E aí elege a bancada mais conservadora possível…

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A esquerda pedante e a direita letárgica

Diante dos últimos acontecimentos, constatei algo perigoso e gostaria de compartilhar com o leitor.

A morte de Margaret Thatcher e o atentado em Boston fizeram emergir o que há de pior na direita e na esquerda, se é que isso existe por aqui.

Manifestações de apoio a morte de Thatcher não faltaram na imprensa e nas redes sociais (o grande indexador de idéias do Brasil). Revistas e canais de televisão enalteceram as grandes “conquistas” da dama de ferro, como, por exemplo, o conflito com a Argentina pelas ilhas Malvinas. Se esqueceram de dizer que foi uma guerra (pra variar) geopolítica, onde o que estava em jogo era a reputação britânica dentro da crise neoliberal instalada e a eleição de Thatcher. Apenas se olharmos a distância da ilha em relação a Londres rapidamente concluimos que esse é um resquício de uma política neocolonialista que serviu de muleta para Thatcher.

O conflito pelas Malvinas
O conflito pelas Malvinas

De outro lado, o atentado em Boston e é claro, o hit brasileiro, Marco Feliciano, também fizeram ressurgir todo o pedantismo da esquerda. Evidentemente os EUA não são flor que se cheire, mas, não vejo por que motivo o atentado foi apoiado por alguns. Aquilo foi um ataque a uma das provas mais tradicionais americanas, covarde e contraproducente, e que irá gerar mais atitudes covardes por parte do governo americano.

Quando o assunto é Marco Feliciano aí a coisa fica pior. O facebook nos apresenta uma nova classe, a dos ateus que fazem o mesmo que os segmentos religiosos mais fanáticos fazem: convencê-lo. O M.F realmente é um estúpido que está se aproveitando de todo o ibope dado a ele, mas jornais e pessoas no facebook chegaram a publicar matérias dizendo que ele tentaria acabar com os jogos eletrônicos no Brasil. Pronto, mais uma onda de xingamentos em cima dele por algo que ele nem sonha e, cá pra nóis, qualquer leitor um pouquinho mais esperto sabe que isso é uma piada.

A direita é letárgica, diante disso, a esquerda brasileira se expande de maneira irracional e estúpida.

O Falso Cult

  • O falso Cult jamais entraria neste blog pelo facebook. Esta é uma ferramenta do povão, qualquer um pode usar e isso a torna ruim (maldita inclusão digital, já diriam aqueles
    mais chegados àquele partido da ave de bico amarelo).
  • O falso Cult não gosta de J.K Rowling e nem de J.R.R Tolkien não por não simpatizarem com o enredo, mas porque são muito populares.
  • O falso Cult esnoba a sua empregada no Brasil, mas quando viaja pra Europa, aceita limpar os excrementos dos europeus numa boa.
  • O falso Cult é contra as cotas nas universidades não por que teme que isso vire uma estatística para que não se invista mais na educação básica, mas, ora bolas (Já diria o relator da CPI do Cachoeira), a Universidade é um lugar para os melhores (como chamam isso mesmo? Ah, a tal da meritocracia), portanto, não deve ser popularizada.
  • O falso Cult põe a culpa de todas as mazelas brasileiras no futebol, afinal de contas, uma atividade tão popular e alienante só depõe contra o processo de aquisição de capital cultural.
  • O falso Cult também é contra o programa bolsa família, mesmo que em caráter emergencial, afinal de contas, por que os pobres fizeram tantos filhos e não estudaram? Agora não adianta chorar…
  • O falso Cult considera um absurdo um professor trabalhar por tão pouco, não porque está preocupado com a educação e a carreira docente, mas porque não entende como o professor, a exemplo dele próprio, não tem nenhum padrinho político ou conhecido que tenha grana e influência suficiente para arrumar coisa melhor pra ele.
  • O falso Cult fica indignado quando vê os resultados das eleições nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, se pergunta por que sudeste e sul não se separam de uma vez do resto.
  • O falso Cult vem ganhando cada vez mais força, cuidado com ele.