Enquanto o futebol brasileiro agoniza…

Semelhanças com o romance de William Faulkner (Enquanto Agonizo, de 1930) não podem ser descartadas. No futebol brasileiro, umas 10 ou 15 personagens também são responsáveis pela condução do enredo que fatalmente pode culminar com o falecimento deste esporte por estas bandas. Entre eles citamos Marins, Teixeiras, Havelanges, Farahs e outros narradores desse romance que provavalmente não receberão nenhum prêmio.

Como o nível dos nacionais é horroroso! Público medíocre, jogadores cavando faltas e simulações absurdas, reclamações com o árbitro intermináveis, técnica inexistente, enfim, são muitos os motivos que o torcedor têm pra não assistir a um jogo de futebol.

São tantas as minhas decepções que elas não caberiam num texto, inclusive tenho renegado minhas quartas feiras à noite e domingos em busca de qualquer outra programação possível, desde que não seja assistir Oeste X Corinthians, Chapecoense X Corinthians, Figueirense e Santos, Santos X Flamengo, enfim, uma série de jogos medíocres que nem o mais fanático consegue aguentar.

Prometo que encerro a minha linha de argumentação neste parágrafo com duas situações que mostram o por que temos públicos menores que o campeonato neozelandês. O primeiro ocorreu em Itápolis-SP dia 13 de maio de 2014, no maravilhoso jogo entre Oeste e Ponte Preta as 21h45, pela série B do brasileiro. Já não bastasse o horário péssimo, numa terça feira para um jogo horroroso, a polícia militar proibiu a entrada dos torcedores com chinelo, isso mesmo, mais de 30 pares foram recolhidos na entrada do campo.

Bizarro, mas isso aconteceu.

O segundo fato, um pouco menos bizarro, foi a rodada da série C do dia 25/05, dois dias atrás, pasmem, numa segunda feira! O jogo em questão era Guarani x Guaratinguetá que ocorreu às 21h30 na cidade de Americana-SP,  em virtude da reforma do estádio do Guarani que receberá a delegação da Nigéria para a Copa do Mundo. Detalhe, o jogo terminou 1 X 5 para o Guaratinguetá, imaginem a felicidade dos torcedores do Guarani num jogo que terminou perto da meia noite de uma segunda, com uma goleada contra de 5…

O que quero salientar é que estão destruindo nosso futebol nacional, e como os dirigentes são competentes nisso! Neste ano teve até dirigente que declarou que só paga salário de jogador bom, jogador ruim ele atrasa mesmo. Este dirigente preside um dos clubes mais tradicionais do estado de São Paulo, o Comercial de Ribeirão Preto, cidade que receberá a delegação francesa de futebol. Quanto profissionalismo!

Enquanto outras ligas batem recorde de público, inclusive com os nossos jogadores como astros maiores, as nossas agonizam e são conduzidas de maneira leviana. Ainda bem que vem aí a Copa do Mundo, porque faz tempo que não vejo uma partida de futebol em terras brasileiras e do jeito que a coisa anda, só a Libertadores salva, mais pela disputa e entrega do que pela técnica.

A sorte do futebol é que tem um público extremamente fiel, que embora esteja cansado de ser maltratado, ainda sustenta todo este circo que é o futebol brasileiro. Troque o fanatismo do brasileiro por futebol para qualquer outro esporte e o cenário seria igual ao do volei e basquete, com clubes reféns de patrocinadores que mudam de cidade ano a ano, embora alguns clubes de futebol paulistas já usem essa prática. Estes dois esportes que, coitados, também sobrevivem das migalhas que sobram das ligas de futebol, sofrem com o descrédito do público pois o time pode ser campeão ou vice em um ano e sumir no outro.

Enfim amigos, ou decidimos mudar o cenário emcampando algumas das lutas do Bom Senso F.C ou, a exemplo do romance de William Faulkner, já vamos nos preparar para o longo enterro do futebol nacional, que apesar de ainda vivo, já tem neste autor um filho desgarrado.

Paulistão? Vou de série A-2.

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O post desta semana é um daqueles pra relaxar. Depois de algum tempo sem futebol, essa semana foi um brinde, uma volta às origens, uma benção, a volta do futebol!

Bom, primeiro assisti a copa São Paulo, especialmente o jogo do Santos contra o Palmeiras, gostei muito do Léo Citadini, meio campo canhoto do Peixe. Geralmente jogadores canhotos são extremos, ou geniais, ou horrorosos. A final é Santos x Goiás, meu palpite, pra não ficar em cima do muro, Santos 7 X 0 Goiás.

Quanto ao paulista, sem citar os ingressos caros e o serviço bisonho (não! Vou me segurar e não vou pra esse lado, o post é pra relaxar, lembra?), acho que está mais para o Santos mesmo, pois os outros times “considerados” grandes (Palmeiras? Espero represálias…) estão ocupados com outros torneios mais importantes, portanto, acho que o caminho está aberto para o Peixe faturar o tetra.  Pra não ficar em cima do muro, Santos campeão em cima do São Paulo (espero represálias), 7 a 0 na final (minhas previsões são a lá Chico Lang). Com relação ao rebaixamento, a briga vai ser boa. Mas há muitos times favoritos, vamos lá, do último ao 17º, respectivamente: Atlético Sorocaba; Oeste; Guarani (espero represálias…) e Botafogo-SP.

Mas a cereja do bolo, pelo menos para este inocente autor, será a série A-2. De um lado, aqueles times de empresários, que detém as piores médias de público da história, juntamente com os times do ABC paulista, como Red Bull, Audax, Gremio Osasco, Guaratinguetá (de longe o pior) e Gremio Barueri.  De outro, os times com história pesada: Comercial, Juventus, Portuguesa, Noroeste, Ferroviária e Velo Clube.

Todos eles num daqueles arranca-rabos histórico. Tenho uma queda pelos times com história, aqueles “empresa” sofrem de um mal que a ciência não consegue explicar: falta de torcida, o que os prejudica na hora do quadrangular final, tem sido assim com Audax e Red Bull, que têm batido na trave nos últimos anos.

Pra não ficar em cima do muro, os quatro que vão subir: Comercial, Portuguesa, Noroeste e Red Bull. Rebaixados: Santacruzense, São Carlos, Rio Branco e Monte Azul.

Libertadores? Secundário. Provavelmente um dos brasileiros, espero que não seja o Corinthians.

A mediocridade (atual) do futebol brasileiro

Barney Gumble, o cervejeiro típico.

Vou aqui retomar a tag “papo de buteco”, há algum tempo inativa.

O recado é rápido e espero não cair na armadilha do meu personagem, o falso cult, que acabei de criar.

O desabafo já vem de algum tempo mas nesse feriadão parece que as coisas se encaixaram na minha cabeça: O futebol brasileiro bem jogado, aquele que me viciou, não existe mais. Não digo isto pela seleção brasileira, e nem pelo último jogo contra a África do Sul, que apesar de tudo, pelo pouco tempo que vi, jogamos próximos à nossa atual capacidade (Que não é lá muito alta).

O estopim foi o clássico SanSão de ontem. Chato, entediante, baixíssimo nível técnico de ambas equipes, erros de passes absurdos, pouquíssima agressividade são alguns dos adjetivos. A exemplo do jogo da seleção brasileira, o SanSão durou 35 minutos pra mim, depois me concentrei mais em dar atenção à minha cerveja e à minha namorada, juntas, são imbatíveis.

A seleção brasileira é o reflexo do que o futebol brasileiro apresenta: mesmice e caretice. Todos jogam rigorosamente iguais, tanto é que, quem tem um raro lampejo de variação tática, como o Corinthians (também limitadíssimo na minha humilde opinião), passeia, como aconteceu na libertadores. Talvez apenas o glorioso “ganha-nada” galo esteja apresentando um futebol mais agradável, ainda assim, careta.

Para piorar o meu Comercial F.C toma um gol absurdo no sábado, no melhor estilo “gol cagado”, no clássico COME-FOGO e agora se encontra em situação duríssima na glamourosa Copa Paulista (Um único jogo do time alemão Borussia Dortmund, que leva em média 75.000 torcedores ao seu estádio, já ultrapassa a soma de todos os públicos da Copa Paulista desde a sua criação, presumo).

O macho já anda por aí em crise, estão nos roubando o futebol de qualidade, por favor, não nos roubem também nossas mulheres e cervejas (Né não, Kassab?).