Novos rumos da literatura brasileira – a periferia contada por Alan da Rosa, Sacolinha, Ferrés e Sérgio Vaz.

Centro e Periferia

No meu ultimo post realmente fiquei incomodado com a pergunta de um jornalista no rodaviva, programa da tv cultura, ao sociólogo Chico de Oliveira sobre qual seria a marca do brasileiro, qual seria a principal característica do Brasil no mundo. Entre jeitinho brasileiro e o homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda, tive a oportunidade de participar de um dia de palestras na University of Texas sobre cultura negra na cidade de São Paulo. Isso mesmo, o Texas, um dos mais conservadores estados dos Estados Unidos discutindo cultura na periferia de São Paulo.

Eis então que me deparo com algo que poderia começar a responder a pergunta que ainda me incomodava.

Na palestra nos foram apresentados alguns eventos que ocorrem em comunidades periféricas da cidade de São Paulo, entre ela o Cooperifa, um dos movimentos artísticos mais fortes de São Paulo.

O carro chefe da associação é o sarau de poesia. O evento ocorre semanalmente às quartas feiras a noite no bar Zé Batidão. O microfone fica aberto para qualquer pessoa ler seus poemas ou apresentar uma música. O local já chegou a receber 500 pessoas. Além do sarau, a Cooperifa promove outros eventos, como cinema feito por artistas da periferia, projetos com a Fundação Casa, enfim, uma típica associação cultural nos moldes medievais, público e de graça. Além disso, o seu mentor, Sérgio Vaz, já publicou 6 dos 40 livros publicados pela associação, que detém premio concedido pela Unesco.

A cooperifa representa um movimento daqueles que foram excluídos pela ocupação urbana do espaço, mas que agora começam a entrar no espaço cultural. Agora a cidade se volta para a periferia, busca entender o que ocorre lá, o porquê de tanta força de um movimento.

Na mesma ideia se incluem Alan da Rosa, Ferrés e Sacolina. Todos estão ligados à atividades culturais da periferia, seja o rap, seja a poesia, seja a literatura, ou seria, litera-rua, nas palavras de Ferrés.

Sacolinha cresceu na zona leste paulista, foi cobrador de ônibus de lotação e descobriu a literatura de maneira curiosa, uma vez descobriu que sua carteira profissional servia de r.g quando foi abordado por policiais. Desde então ele compreendeu segundo ele, que “esse negócio de leitura funciona mesmo”. Seus primeiros livros foram financiados com dinheiro de rifa, apenas recentemente conseguiu apoio do governo federal.

Ferrés é um paulistano de 32 anos, começou a escrever aos 12 anos de idade, trabalhou como balconista e auxiliar geral. Seu livro mais relevante foi Capão Pecado. O seu blog conta com ótimos textos, inclusive ESTE AQUI, com o qual me identifico muito.

De fato há um movimento que agora quer convergir para a periferia. Personagens como Mano Brown, MV Bill, Sabotage, Criolo e todos os aqui citados evidenciam um grito da periferia como quem diz: “Estamos aqui ainda!”, exemplificado no filme “A cidade de Deus”. Ao contrário do filme, que é ótimo por sinal, na periferia não tem apenas espaço para o crime e a violência, também tem poesia, cultura e literatura de muita qualidade.

“A ignorância e a mediocridade é um privilégio de todos”. Sérgio Vaz.

A privataria tucana.“Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita” Tim Maia.

Nada resume mais a história recente do Brasil do que esta frase. Se bem que o resultado das eleições para a prefeitura de São Paulo mostrou que o pobre, pelo menos dessa vez, votou com a centro esquerda do Hadad.

Assistindo a uma entrevista do sociólogo Chico de Oliveira no roda viva, onde ele dizia que estaria retomando as pesquisas sobre o “jeitinho brasileiro” à luz do homem cordial, de Sérgio Buarque de Holanda, me deparei com uma boa questão feita por um dos jornalistas. Ele perguntou se a marca que o Brasil deixava no mundo era este tal jeitinho. Chico de Oliveira respondeu que ainda era cedo para tal análise, afinal de contas, temos uma curta história como nação.

Acho que o jeitinho deve ser melhor estudado pela sociologia, pois poderia ajudar a explicar a obsessão do brasileiro pela falcatrua e pela corrupção, mas nada explica o pobre ser de direita.

Longe de defender o PT e o mensalão, que apesar de algumas crenças absurdas de alguns petistas por aí, existiu sim. E os fins não justificam os meios. Os culpados foram julgados num teatro armado pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista), já diria Paulo Henrique Amorim e Nassif. Colocaram até o Joaquim Barbosa como um super herói, para delírio de rede Globo, revista Veja, Isto é e outros demais integrantes do PIG. Muito embora muito daquilo que foi mostrado foi obscuro. Nem mesmo a relação direta entre esses pagamentos e o resultado das votações no congresso foi comprovada (pois teve deputado do PSDB votando a favor de projetos do PT, será que eles também foram comprados?), isso será julgado pelas cortes internacionais porque muitos acreditam que o julgamento foi indevido.

O que ficou comprovado é que o esquema começou ainda em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso comprou votos para a reeleição (200 mil reais cada um) e com Eduardo Azeredo na campanha para o governo de Minas Gerais.

Pois bem, o montante supostamente desviado foi de 55 milhões. Banestado e escândalo das privatizações somam mais de 142 bilhões. Tudo bem, roubo é roubo, mas usemos a matemática, 1 é diferente de 2000. E o PIG ainda continua abafando a criação da CPI da privataria, ao contrário do que fez com o mensalão.

O escândalo das privatizações envolveu pessoas do mais baixo calão: José Serra, Verônica Serra, Carlos Jereissati, Ricardo Sérgio de Oliveira, Naji Nahas (sim, aquele do Pinheirinho que o Alckmin fez questão de descer o cacete na população que ali estava), Daniel Dantas, sua irmã, enfim, algo que está comprovado e documentado. No livro de Amaury Ribeiro Jr documentos mostram que a turma de Serra, incluindo sua filha, cunhado, genro e outros mais, lavavam dinheiro durante o governo FHC, emitiam dinheiro para paraísos fiscais, para empresas de própria posse, e faziam o dinheiro voltar limpo para o Brasil, a coisa era tão descarada que a mesma pessoa assinava nas duas pontas, na emissão para o paraíso e na volta para o Brasil, na forma de investimento.

“É claro que fizeram o diabo no processo de privatização” Ricardo Boechat.

Vamos aos nomes:

Ricardo Sergio de Oliveira. Tesoureiro da campanha de FHC e Serra. Enquanto Serra era ministro do planejamento, cobrava propina para arrumar os consórcios da privatização de meios de comunicação. Carlos Jereissati dono da Telemar, vencedor da privatização do FHC, pagou Ricardo Sérgio para arrumar a privatização. Ele tinha esse poder porque era diretor do banco do Brasil, dando cartas de fiança para os possíveis compradores. Foi ai que ele ligou para Luis Carlos Mendonça de Barros, ministro de FHC e disse: “Estamos agindo no limite da nossa irresponsabilidade. Se isso der merda, estamos todos no mesmo barco.”. Ele tinha o controle para direcionar os fundos de pensão do BB.

O braço direito dele era João Madeira da Costa, o dinheiro dele ia para o caribe e voltava limpo para comprar apartamentos e terrenos. Agia usando offshores, empresas que são apenas uma caixa postal no caribe, para lavar dinheiro.

Veronica Serra. Dantas plantou uma matéria na Isto É dizendo que ela é um gênio da internet. Na realidade o que existia era uma sociedade entre Verônica Dantas e Verônica Serra, em Miami, a empresa chamava-se decidir.com. Banco Oportunity ganhou a privatização usando dinheiro do Citibank e colocou dinheiro nesta empresa, que não fechou, foi para o caribe, no mesmo escritório de offshore onde Ricardo Sergio e tantos outros operam. O mesmo dinheiro entra no Brasil, à época, na empresa decidir.com., lavando o dinheiro.

Alexandre Bourgeois, genro de Serra. Mesmo modo de operação. Assina como diretor na offshore do caribe e recebe no Brasil, assinando nas duas pontas. Assim como Ricardo Teixeira, ex-diretor da CBF, só que este usa laranja pra receber dinheiro.

Dantas. Dinheiro vai pra doleiro, que opera offshores no Uruguai, comprou a Brasil Telecom com fundos de pensão. Mesmo modo de operação de Maluf.

Gregório Preciado, cunhado da prima de Serra, sócio dele e da filha. Lava dinheiro. Envolvido na CPI do banestado.

Coronel Enio Gomes Fonteneli, o Doutor escuta. Contratado por Serra quando ministro da saúde e quando era governador de São Paulo.Trabalhou no SNI na ditadura, ligado ao Garra. Ele grampeava no ministério da saúde e trabalhava com Marcelo Itagiba diretor da PF, homem de confiança de Serra. O grupo foi formado para fiscalizar a fraude dos genéricos, quando na realidade, foi descoberto que Serra estava fazendo dossiê contra Paulo Renato de Souza do PSDB, como fez contra o Aecio Neves, que era chantageado pelo coronel. Enio foi contratado por 1 milhao de reais e sem licitação.

Serra é o centro da privataria.

Agora, será que a CPI da privataria sairá? Será que será feito o mesmo julgamento espetaculoso?

Claro que não. Mídia, bancos, empreiteiras participaram da privatização, isso não sairá.

Trocando em miúdos, o capeta aliado ao PT seria um anjo quando comparado a Jesus afiliado ao PSDB.