Qual o significado do voto de Celso de Mello no STF?

Ódio
Ódio

Hoje me debruço sobre algo que tenho ojeriza, o direito. Símbolo este que supostamente nos mantém dentro de uma noção de ética social que nos garante aquilo que é certo e aquilo que é punível.

Desde a semana passada quando aventou-se a possibilidade de que o STF poderia aceitar o recurso dos embargos infringentes, houve uma histeria generalizada nos meios de comunicação, canais de TV, redes sociais e mesas de bar. Clamavam as pessoas: “é o país da inpunidade!”, “é o país onde tudo acaba em pizza”. Em seguida, os holofotes viraram pra Celso de Mello, aquele que teria o voto de minerva, ou seja, aquele que seria pressionado por ambos os lados. Mais uma vez, a revista Veja assumiu papel no mínimo constrangedor (fica a seu critério mudar o adjetivo) ao publicar esta capa.

Revista Veja
Revista Veja

Desnecessário dizer que o voto de Celso de Mello é uma confissão de que o julgamento por si só foi algo extremamente comandado pela pressão midiática e popular. Também é desnecessário dizer que os réus não são inocentes. No entanto, o que ficou claro nesse recurso foi o caráter imediatista que assolou o STF, pressionado, quis empurrar a conclusão do julgamento à forceps.

Há quem diga que o PT ganhou por por seis votos a cinco. Outra falácia. Celso de Mello não foi nomeado por ninguém ligado ao PT e votou a favor, Fux e Carmen Lúcia, nomeados por Lula, votaram contra. Seria o mesmo que dizer que Gilmar Mendes, nomeado por FHC, votou influenciado pelas suas ligações com o PSDB.

Disse o Luis Nassif em seu blog que a chegada de Barroso e Teori trouxe mais seriedade ao STF. Para uns a seriedade sempre esteve presente nas figuras de Marco Aurélio de Mello e Joaquim Barbosa. Desnecessário dizer que o primeiro, além de primo do demo Fernando Collor, se fosse sério não teria concedido habeas corpus a Salvatore Cacciola para que fugisse do país, quanto ao segundo, desnessário dizer que se fosse sério jamais assistiria a um jogo da copa das confederações no camarote do Luciano Huck e não teria relações tão boas com a rede Globo.

Além de reconhecer que erraram, principalmente Celso de Mello, que chegou a comparar partidos políticos ao PCC, o aceite dos embargos nada mais é do que garantir que o acusado possa recorrer da sentença, algo que fazemos até em nossas multas de trânsito, já que a lei é assim, por que aqui seria uma exceção?

Teria o STF descoberto a tempo que estão no meio do furacão? Que procederam no julgamento pautados pela pressão midiática e popular?

Encerro o post com uma ótima entrevista do Rubem Alves no Provocações da TV Cultura, programa este que ainda se mantém intocado pela onda de destruição que assola o canal. Acho muito interessante quando falam de esperança na educação, se o Rubem Alves tem dúvida, imagine nós, caro leitor.

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A privataria tucana.“Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita” Tim Maia.

Nada resume mais a história recente do Brasil do que esta frase. Se bem que o resultado das eleições para a prefeitura de São Paulo mostrou que o pobre, pelo menos dessa vez, votou com a centro esquerda do Hadad.

Assistindo a uma entrevista do sociólogo Chico de Oliveira no roda viva, onde ele dizia que estaria retomando as pesquisas sobre o “jeitinho brasileiro” à luz do homem cordial, de Sérgio Buarque de Holanda, me deparei com uma boa questão feita por um dos jornalistas. Ele perguntou se a marca que o Brasil deixava no mundo era este tal jeitinho. Chico de Oliveira respondeu que ainda era cedo para tal análise, afinal de contas, temos uma curta história como nação.

Acho que o jeitinho deve ser melhor estudado pela sociologia, pois poderia ajudar a explicar a obsessão do brasileiro pela falcatrua e pela corrupção, mas nada explica o pobre ser de direita.

Longe de defender o PT e o mensalão, que apesar de algumas crenças absurdas de alguns petistas por aí, existiu sim. E os fins não justificam os meios. Os culpados foram julgados num teatro armado pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista), já diria Paulo Henrique Amorim e Nassif. Colocaram até o Joaquim Barbosa como um super herói, para delírio de rede Globo, revista Veja, Isto é e outros demais integrantes do PIG. Muito embora muito daquilo que foi mostrado foi obscuro. Nem mesmo a relação direta entre esses pagamentos e o resultado das votações no congresso foi comprovada (pois teve deputado do PSDB votando a favor de projetos do PT, será que eles também foram comprados?), isso será julgado pelas cortes internacionais porque muitos acreditam que o julgamento foi indevido.

O que ficou comprovado é que o esquema começou ainda em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso comprou votos para a reeleição (200 mil reais cada um) e com Eduardo Azeredo na campanha para o governo de Minas Gerais.

Pois bem, o montante supostamente desviado foi de 55 milhões. Banestado e escândalo das privatizações somam mais de 142 bilhões. Tudo bem, roubo é roubo, mas usemos a matemática, 1 é diferente de 2000. E o PIG ainda continua abafando a criação da CPI da privataria, ao contrário do que fez com o mensalão.

O escândalo das privatizações envolveu pessoas do mais baixo calão: José Serra, Verônica Serra, Carlos Jereissati, Ricardo Sérgio de Oliveira, Naji Nahas (sim, aquele do Pinheirinho que o Alckmin fez questão de descer o cacete na população que ali estava), Daniel Dantas, sua irmã, enfim, algo que está comprovado e documentado. No livro de Amaury Ribeiro Jr documentos mostram que a turma de Serra, incluindo sua filha, cunhado, genro e outros mais, lavavam dinheiro durante o governo FHC, emitiam dinheiro para paraísos fiscais, para empresas de própria posse, e faziam o dinheiro voltar limpo para o Brasil, a coisa era tão descarada que a mesma pessoa assinava nas duas pontas, na emissão para o paraíso e na volta para o Brasil, na forma de investimento.

“É claro que fizeram o diabo no processo de privatização” Ricardo Boechat.

Vamos aos nomes:

Ricardo Sergio de Oliveira. Tesoureiro da campanha de FHC e Serra. Enquanto Serra era ministro do planejamento, cobrava propina para arrumar os consórcios da privatização de meios de comunicação. Carlos Jereissati dono da Telemar, vencedor da privatização do FHC, pagou Ricardo Sérgio para arrumar a privatização. Ele tinha esse poder porque era diretor do banco do Brasil, dando cartas de fiança para os possíveis compradores. Foi ai que ele ligou para Luis Carlos Mendonça de Barros, ministro de FHC e disse: “Estamos agindo no limite da nossa irresponsabilidade. Se isso der merda, estamos todos no mesmo barco.”. Ele tinha o controle para direcionar os fundos de pensão do BB.

O braço direito dele era João Madeira da Costa, o dinheiro dele ia para o caribe e voltava limpo para comprar apartamentos e terrenos. Agia usando offshores, empresas que são apenas uma caixa postal no caribe, para lavar dinheiro.

Veronica Serra. Dantas plantou uma matéria na Isto É dizendo que ela é um gênio da internet. Na realidade o que existia era uma sociedade entre Verônica Dantas e Verônica Serra, em Miami, a empresa chamava-se decidir.com. Banco Oportunity ganhou a privatização usando dinheiro do Citibank e colocou dinheiro nesta empresa, que não fechou, foi para o caribe, no mesmo escritório de offshore onde Ricardo Sergio e tantos outros operam. O mesmo dinheiro entra no Brasil, à época, na empresa decidir.com., lavando o dinheiro.

Alexandre Bourgeois, genro de Serra. Mesmo modo de operação. Assina como diretor na offshore do caribe e recebe no Brasil, assinando nas duas pontas. Assim como Ricardo Teixeira, ex-diretor da CBF, só que este usa laranja pra receber dinheiro.

Dantas. Dinheiro vai pra doleiro, que opera offshores no Uruguai, comprou a Brasil Telecom com fundos de pensão. Mesmo modo de operação de Maluf.

Gregório Preciado, cunhado da prima de Serra, sócio dele e da filha. Lava dinheiro. Envolvido na CPI do banestado.

Coronel Enio Gomes Fonteneli, o Doutor escuta. Contratado por Serra quando ministro da saúde e quando era governador de São Paulo.Trabalhou no SNI na ditadura, ligado ao Garra. Ele grampeava no ministério da saúde e trabalhava com Marcelo Itagiba diretor da PF, homem de confiança de Serra. O grupo foi formado para fiscalizar a fraude dos genéricos, quando na realidade, foi descoberto que Serra estava fazendo dossiê contra Paulo Renato de Souza do PSDB, como fez contra o Aecio Neves, que era chantageado pelo coronel. Enio foi contratado por 1 milhao de reais e sem licitação.

Serra é o centro da privataria.

Agora, será que a CPI da privataria sairá? Será que será feito o mesmo julgamento espetaculoso?

Claro que não. Mídia, bancos, empreiteiras participaram da privatização, isso não sairá.

Trocando em miúdos, o capeta aliado ao PT seria um anjo quando comparado a Jesus afiliado ao PSDB.