A privataria tucana.“Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita” Tim Maia.

Nada resume mais a história recente do Brasil do que esta frase. Se bem que o resultado das eleições para a prefeitura de São Paulo mostrou que o pobre, pelo menos dessa vez, votou com a centro esquerda do Hadad.

Assistindo a uma entrevista do sociólogo Chico de Oliveira no roda viva, onde ele dizia que estaria retomando as pesquisas sobre o “jeitinho brasileiro” à luz do homem cordial, de Sérgio Buarque de Holanda, me deparei com uma boa questão feita por um dos jornalistas. Ele perguntou se a marca que o Brasil deixava no mundo era este tal jeitinho. Chico de Oliveira respondeu que ainda era cedo para tal análise, afinal de contas, temos uma curta história como nação.

Acho que o jeitinho deve ser melhor estudado pela sociologia, pois poderia ajudar a explicar a obsessão do brasileiro pela falcatrua e pela corrupção, mas nada explica o pobre ser de direita.

Longe de defender o PT e o mensalão, que apesar de algumas crenças absurdas de alguns petistas por aí, existiu sim. E os fins não justificam os meios. Os culpados foram julgados num teatro armado pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista), já diria Paulo Henrique Amorim e Nassif. Colocaram até o Joaquim Barbosa como um super herói, para delírio de rede Globo, revista Veja, Isto é e outros demais integrantes do PIG. Muito embora muito daquilo que foi mostrado foi obscuro. Nem mesmo a relação direta entre esses pagamentos e o resultado das votações no congresso foi comprovada (pois teve deputado do PSDB votando a favor de projetos do PT, será que eles também foram comprados?), isso será julgado pelas cortes internacionais porque muitos acreditam que o julgamento foi indevido.

O que ficou comprovado é que o esquema começou ainda em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso comprou votos para a reeleição (200 mil reais cada um) e com Eduardo Azeredo na campanha para o governo de Minas Gerais.

Pois bem, o montante supostamente desviado foi de 55 milhões. Banestado e escândalo das privatizações somam mais de 142 bilhões. Tudo bem, roubo é roubo, mas usemos a matemática, 1 é diferente de 2000. E o PIG ainda continua abafando a criação da CPI da privataria, ao contrário do que fez com o mensalão.

O escândalo das privatizações envolveu pessoas do mais baixo calão: José Serra, Verônica Serra, Carlos Jereissati, Ricardo Sérgio de Oliveira, Naji Nahas (sim, aquele do Pinheirinho que o Alckmin fez questão de descer o cacete na população que ali estava), Daniel Dantas, sua irmã, enfim, algo que está comprovado e documentado. No livro de Amaury Ribeiro Jr documentos mostram que a turma de Serra, incluindo sua filha, cunhado, genro e outros mais, lavavam dinheiro durante o governo FHC, emitiam dinheiro para paraísos fiscais, para empresas de própria posse, e faziam o dinheiro voltar limpo para o Brasil, a coisa era tão descarada que a mesma pessoa assinava nas duas pontas, na emissão para o paraíso e na volta para o Brasil, na forma de investimento.

“É claro que fizeram o diabo no processo de privatização” Ricardo Boechat.

Vamos aos nomes:

Ricardo Sergio de Oliveira. Tesoureiro da campanha de FHC e Serra. Enquanto Serra era ministro do planejamento, cobrava propina para arrumar os consórcios da privatização de meios de comunicação. Carlos Jereissati dono da Telemar, vencedor da privatização do FHC, pagou Ricardo Sérgio para arrumar a privatização. Ele tinha esse poder porque era diretor do banco do Brasil, dando cartas de fiança para os possíveis compradores. Foi ai que ele ligou para Luis Carlos Mendonça de Barros, ministro de FHC e disse: “Estamos agindo no limite da nossa irresponsabilidade. Se isso der merda, estamos todos no mesmo barco.”. Ele tinha o controle para direcionar os fundos de pensão do BB.

O braço direito dele era João Madeira da Costa, o dinheiro dele ia para o caribe e voltava limpo para comprar apartamentos e terrenos. Agia usando offshores, empresas que são apenas uma caixa postal no caribe, para lavar dinheiro.

Veronica Serra. Dantas plantou uma matéria na Isto É dizendo que ela é um gênio da internet. Na realidade o que existia era uma sociedade entre Verônica Dantas e Verônica Serra, em Miami, a empresa chamava-se decidir.com. Banco Oportunity ganhou a privatização usando dinheiro do Citibank e colocou dinheiro nesta empresa, que não fechou, foi para o caribe, no mesmo escritório de offshore onde Ricardo Sergio e tantos outros operam. O mesmo dinheiro entra no Brasil, à época, na empresa decidir.com., lavando o dinheiro.

Alexandre Bourgeois, genro de Serra. Mesmo modo de operação. Assina como diretor na offshore do caribe e recebe no Brasil, assinando nas duas pontas. Assim como Ricardo Teixeira, ex-diretor da CBF, só que este usa laranja pra receber dinheiro.

Dantas. Dinheiro vai pra doleiro, que opera offshores no Uruguai, comprou a Brasil Telecom com fundos de pensão. Mesmo modo de operação de Maluf.

Gregório Preciado, cunhado da prima de Serra, sócio dele e da filha. Lava dinheiro. Envolvido na CPI do banestado.

Coronel Enio Gomes Fonteneli, o Doutor escuta. Contratado por Serra quando ministro da saúde e quando era governador de São Paulo.Trabalhou no SNI na ditadura, ligado ao Garra. Ele grampeava no ministério da saúde e trabalhava com Marcelo Itagiba diretor da PF, homem de confiança de Serra. O grupo foi formado para fiscalizar a fraude dos genéricos, quando na realidade, foi descoberto que Serra estava fazendo dossiê contra Paulo Renato de Souza do PSDB, como fez contra o Aecio Neves, que era chantageado pelo coronel. Enio foi contratado por 1 milhao de reais e sem licitação.

Serra é o centro da privataria.

Agora, será que a CPI da privataria sairá? Será que será feito o mesmo julgamento espetaculoso?

Claro que não. Mídia, bancos, empreiteiras participaram da privatização, isso não sairá.

Trocando em miúdos, o capeta aliado ao PT seria um anjo quando comparado a Jesus afiliado ao PSDB.

Caso Cachoeira e Revista Veja: o jornalismo criminoso

Com o desenrolar dos últimos acontecimentos da CPI do Cachoeira, resolvi fazer uma pequena pesquisa sobre a revista de circulação semanal mais antiga e a mais vendida do Brasil. Notei que nos primórdios, lá pelos idos de 1968, o seu conteúdo era até interessante e pouco parcial. Não obstante, o diretor de redação nesta época era Mino Carta, hoje diretor da revista Carta Capital. Ainda assim, já fica claro nas capas abaixo a influência da censura militar.

No entanto, com o fim do período militar e a demissão do então diretor de redação, a pauta da revista muda e matérias no mínimo estranhas começam a ser exploradas.

E o tiro saiu pela culatra, pois a revista também teve um importante papel no impeachment de Collor e, agora, ele é membro da CPI (sim, no Brasil isso acontece) e vem pegando pesado com a revista.

Com a eleição de Lula em 2002 a revista passa a jogar ainda mais baixo. A seguir fiz uma pequena seleção das capas mais absurdas. Com toda certeza o leitor pode conhecer outras tão bizarras quanto estas e ficaria muito grato em publicá-las. Desta seleção destaco as duas primeiras, são impagáveis.

Recentemente a polícia federal tem ligado Cachoeira à revista Veja. Segundo gravações realizadas pela PF, o ex-diretor da Delta Claudio Abreu aparece em conversa com Cachoeira comemorando a publicação de uma matéria onde o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, fora atacado. A reportagem tinha o título “Agora ele cai” e  o objetivo era desviar a atenção de Demóstenes Torres para Agnelo, para isso Cachoeira pautava a revista junto a Policarpo Júnior, diretor da sucursal em Brasília.

Entre outros envolvidos com Cachoeira estão: Marconi Perillo (PSDB), governador de Goiás; Túlio Ex-jogador de futebol e deputado; Stepan Nercessiam (PPS-RJ), este mesmo, deputado pelo Rio de Janeiro, entre outros de muitos partidos distintos.

Além da Veja, a revista Época também chegou a publicar uma nota assinada por Demétrio Magnoli (Geógrafo e Sociólogo), onde Demóstenes Torres era apontado como um paladino da ética.

Voltando ao jornalismo com padrão Veja, uma de suas características mais marcantes é o ataque aos professores. Em matéria de Gustavo Ioschpe da edição de 2 de Junho de 2010:

Durante muito tempo, quando se falava dos problemas da educação no Brasil, havia uma resposta pronta e definitiva: é preciso aumentar o salário dos professores. Com salário baixo como seria o dos professores, não se poderiam exigir motivação e comprometimento. Nos anos recentes, essa teoria foi seriamente erodida por uma avalanche de fatos que mostram queo problema do professor brasileiro não é de motivação, mas de preparo, coisa que salário não muda.”

Sem comentários. O leitor pode buscar na internet outras reportagens tão maldosas quanto esta, não será difícil encontrar desde que se inclua revista VEJA na pesquisa.

Qual o limite entre a liberdade de expressão, oposição e o crime organizado? Por entre este limite já passou, há alguns anos atrás, uma curva tênue chamada censura. Não podemos voltar a ela, mas também não podemos ser reféns da mentira.