O mapa da especulação imobiliária em Ribeirão Preto-SP, 2000 a 2010.

Dando continuidade a série de trabalhos que venho realizando utilizando os censos de 2000 e 2010 para Ribeirão Preto, neste post vou apresentar alguns dados quanto à distribuição dos imóveis da cidade em relação a domicílios alugados e apartamentos.

No montante geral, observa-se que o número de imóveis alugados em relação ao número total de domicílios subiu de 22,64% para 25,69% de 2000 a 2010.

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Os mapas de 2000 e 2010 mostram a distribuição do aumento do número de imóveis alugados distribuídos nos setores censitários da cidade. Observa-se que em 2000 os imóveis alugados se concentravam no centro da cidade e em algumas áreas dos Campos Elíseos.

alugados 2000

alugados 2010

Já em 2010 observamos que outras localidades passam a possuir maior proporção de imóveis alugados, caso de parte da Vila Tibério, Sumarezinho, Alto da Boa Vista, Jardim Irajá, Jardim Canadá, áreas próximas ao Ribeirão Shopping e Ipiranga.

Quando observamos o mapa que mostra a proporção de domicílios do tipo apartamento em relação ao montante geral, observamos que esta especulação teve como eixo principal a região sul da cidade, coincidentemente, a mais rica (https://ometafisico.wordpress.com/2013/04/22/ribeirao-preto-sp-de-2000-a-2010-poucas-mudancas/).

apartamentos 2000 apartamentos 2010

Este eixo sul consiste principalmente nos bairros Jardim Canadá, Alto da Boa Vista, Jardim Irajá e Jardim Paulista. Ribeirão Preto se insere ao lado de muitas outras cidades médias no processo de verticalização, sobretudo em áreas nobres.

O interessante é que, para o mesmo período, a renda per capita do ribeirão pretano encolheu de R$1254 em 2000 para R$1160 em 2010, curiosamente, há um aumento do número de domicílios quitados (será explorado em outro post) e do número de apartamentos, ou seja, apesar da bolha imobiliária estar atuando fortemente, parte do dinamismo imobiliário da cidade foi concentrado nas mãos das maiores rendas e nos melhores locais.

Lembro que aqui apresento alguns mapas de próprio punho, portanto, algo bastante bruto que necessita melhor polimento.

Fonte: IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

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Ribeirão Preto-SP de 2000 a 2010: Poucas mudanças.

Algum tempo atrás comecei a trabalhar com dados do censo 2010 do IBGE e me ocorreu a idéia de fazer um post comparando alguns dados com o censo de 2000. Escolhi a cidade de Ribeirão Preto-SP pois percebi que, como Geógrafo, pouco conhecia o município, no entanto, ao longo da minha infância e adolescência tive vivências muito importantes e posso afirmar que conheço uns 10% da realidade local.

O que apresento aqui é o início, o rascunho, um rabisco sem compromisso dos primeiros dados que comparei em 10 anos de censo. Fiquei algum tempo sem postar aqui no blog para poder finalizar os mapas que, acreditem neste pobre autor, deram um trabalho danado.

Pois bem, os mapas abaixo mostram a distribuição da renda per capita  em Ribeirão Preto por setores censitários. Note que, alguns setores mudam de um censo pra outro, alguns passam a existir e outros foram divididos, o que só prejudica a análise. Os espaços em Branco são aqueles setores onde não há dados consistentes ou, no caso do senso de 2000, ainda não existiam.

Renda Per Capita nos setores censitários de 2010. Fonte: IBGE. Autor: André Celarino
Renda Per Capita nos setores censitários de 2010. Fonte: IBGE. Autor: André Celarino
Renda Per Capita nos setores censitários de 2000. Fonte: IBGE. Autor: André Celarino
Renda Per Capita nos setores censitários de 2000. Fonte: IBGE. Autor: André Celarino

É importante que estas informações estejam espacializadas, pois todos têm mais ou menos uma idéia do que ocorre, mas nunca de uma maneira sistematizada.

Destaco aqui as regiões do Alto da Boa Vista, Ribeirânea, Jardim Irajá e City Ribeirão como as maiores rendas, desde 2000 e se mantendo em 2010.

Já nas áreas de menor renda: Parque Ribeirão, Ipiranga, Area do Aeroporto Leite Lopes (Que incluem: Jardim Aeroporto, Salgado Filho, Tanquinho, Avelino Palma e Quintino Facci I) Quintino Facci II e Simioni, a situação pouco mudou, no entanto, quando observamos a região do Ipiranga, observa-se que os setores com baixa renda passaram a se espalhar pelo Sumarezinho, pela fronteira entre os bairros, a Av. D. Pedro I. O mesmo ocorre com o bairro Jardim Paiva,  logo ao sul do Planalto Verde, onde aparecem setores censitários com baixa renda em 2010, que praticamente não existiam em 2000.

Basicamente, o setor norte da cidade é aquele onde se encontra a população de menor renda e baixa escolaridade (Não foram colocados todos os nomes de bairros pois não se trata de uma divisão oficial, no entanto, foram adicionados alguns apenas como nota de referência geográfica ao leitor).

Quando observamos o mapa abaixo, da proporção de população negra em relação ao total, segundo o censo de 2010, conclui-se que, óbviamente e, infelizmente, ainda há uma forte correlação da população negra e setores de baixa renda, mesmo em uma cidade com razoáveis condições de vida, como é Ribeirão Preto.

Proporção de população autodeclarada negra em relação a população total, por setores censitários (2010). Fonte: IBGE. Autor: André Celarino
Proporção de população autodeclarada negra em relação a população total, por setores censitários (2010). Fonte: IBGE. Autor: André Celarino

E quando olhamos para algumas variáveis de educação, percebemos a mesma relação. Os mapas abaixo apresentam a média de anos de estudo (2000) e a proporção de população alfabetizada em relação ao total (2010), já que a variável anos de estudo não existe nos dados do censo de 2010.

Anos de estudo por setores censitários, 2000. Fonte: IBGE. Autor: André Celarino
Anos de estudo por setores censitários, 2000. Fonte: IBGE. Autor: André Celarino. Nota: O setor censitário onde fica a penitenciária na rodovia Abrão Assed não possui dados.
Proporção de pessoas alfabetizadas de 5 ou mais anos de idade, por setor censitário, 2010. Fonte: IBGE. Autor: André Celarino
Proporção de pessoas alfabetizadas de 5 ou mais anos de idade, por setor censitário, 2010. Fonte: IBGE. Autor: André Celarino

São cinco mapas com temas diferentes mas que apresentam a mesma distribuição espacial. Apenas numa rápida e simples análise como esta, percebemos que a ocupação do espaço reflete a situação de cada uma das variáveis aqui apresentadas e que elas estão intrínsecamente ligadas umas as outras.

Além disso, o que gostaria de chamar a atenção aqui é que, em 10 anos, essa configuração espacial pouco mudou.

Tenho outras variáveis preparadas e em breve publicarei aqui no blog.