Por que o brasileiro amou Ayrton Senna.

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Como o leitor atento deve ter percebido, venho assistindo muitas edições do programa Roda Viva nos últimos tempos (embora o programa também não esteja isento de influências nefastas do PIG, é um ótimo programa). Apenas um dos grandes benefícios de não ter televisão em casa.

Neste ultimo domingo, cheguei  em casa após um daqueles jogos de várzea que tanto me agradam, campo ruim, minha chuteira horrível e uma galera muito gente boa. Pois bem, como de praxe, liguei meu notebook e “sortei” um som pra relaxar. Entrei no youtube e fiquei chocado com a capacidade de rastreio deles. Estavam lá muitos vídeos (no canto direito) relacionados às minhas últimas pesquisas que havia feito na internet: coisas sobre política, rodas-vivas, Esportes, alguns celulares que pesquisei aqui dos EUA e etc. Enfim, achei preocupante, o Google tem uma engenharia de controle de tráfego na internet absurdo.

Um dos vídeos era o roda viva do Senna.  O programa na íntegra está aqui:

Após assistir o vídeo, consigo entender, embora não concordar, quem não gosta do Rubens Barrichello. O nosso parâmetro era outro quando Barrichello surgiu, Senna era tri campeão, ídolo, carismático, tinha um ótimo relacionamento com a imprensa, morou no Brasil a maior parte da sua carreira, enfim, um post não é suficiente para elencar todas as suas qualidades.

E o brasileiro se acostumou a ver um piloto duro, vencedor, que xingou Prost, seu maior rival, de covarde. De repente, tudo isso se foi numa curva, que nem era tão curva assim, a maldita Tamburello. O Brasil descontou a dor de perder Ayrton em Barrichello, pois este foi o único com caráter e condições de representar o país, todos os outros fracassaram. Ou alguém acha que Christian Fittipaldi (com todo respeito a família), ou Ricardo Rosset, ou Zonta, ou Pedro Diniz, sem desmerecê-los, teve metade do apelo da mídia e carisma que Barrichello teve no Brasil?

Voltando a Senna, gostaria de compartilhar dois momentos duros durante esses videos. O primeiro foi quando mostraram a primeira vez em que ele usou a bandeira do Brasil depois de vencer o grande prêmio de Detroit em 1986. Essa parte começa no minuto 20:40 da parte II, sugiro que vejam pelo menos essa parte, pois chorei como uma criança pelos próximos 5 minutos depois que a imagem volta e mostra Senna com os olhos cheios de lágrimas, soltando um sorriso daqueles que, se você for humano, você chora também.

O segundo momento, mais para o final do vídeo, é onde ele começa a falar do medo da morte. Em um dado momento, ele começa a explicar que certa vez em uma corrida de Kart ele exagerou no arrojo e bateu o carro. Essa parte também é muito dura, porque logo me veio na mente o acidente que causou a sua morte.

Em outro vídeo, que graças ao youtube pude refrescar a minha memória, Senna desce do carro para salvar Eric Comas, que havia acabado de se acidentar. Senna desce do carro, desliga o motor e presta os primeiros socorros ali mesmo.

Bom, vou parar de fazer você leitor se lembrar de coisas tristes. Para terminar o post, gostaria de lembrar de dois outros momentos. Um mais descontraído, quando Senna pegou carona com o leão Nigel Mansell, em cima do carro! O vídeo está abaixo, reparem todos os fiscais tentando evitar que Senna suba no carro do britânico, que, apesar de ser muito louco guiando um carro, tinha qualidades limitadíssimas como piloto, como bem disse o seu desafeto Nelson Piquet.

O segundo momento foi quando Senna ganha no GP Brasil e começa a gritar no rádio, simplesmente emocionante. Detalhe que ele acena antes de acabar a corrida.

Após a sua morte, descobriu-se que Senna mantinha inúmeros projetos sociais, até então desconhecidos pela população brasileira.

É por isso, Ayrton Senna, que o brasileiro (incluindo o autor que aqui vos escreve) amou você.

Por fim, um último vídeo mais raro de Senna tendo, digamos, um acerto de contas com  Schumacher.

Parabéns, Rubens Barrichello.

Ontem foi aniversário de 40 anos do Rubens Barrichello, fiquei sabendo porque li um bom texto sobre ele no blog do Flavio Gomes.

Muitos (95% dos brasileiros) o acham um perdedor, um derrotado, lento e submisso. Um derrotado que chegou à fórmula 1 com uma responsabilidade pequena, ser o substituto de Senna, como a Globo vendeu o seu marketting. E aí talvez esteja o seu maior fracasso, ter acreditado neste conto global e ter feito o seu jogo nefasto por tanto tempo.

Um perdedor que conseguiu enganar a todos na F-1 por 18 anos. Um perdedor que em 5 anos de Ferrari sempre ficou próximo do seu companheiro, considerado por muitos o melhor de todos os tempos da F-1. Sem mencionar a quantidade de vezes que foi prejudicado pela própria equipe, pelo equipamento diferenciado em relação ao alemão e etc.

Um derrotado, por ser simpático com todos, brincalhão, totalmente o avesso do que um piloto de F-1 tem que ser, ou seja, um otário frio sem opinião, o que fatalmente agrada os patrocinadores. O brasileiro geralmente é assim, é derrotado em todos os segmentos da vida em sociedade, portanto transfere seu desejo de vitórias para os outros, e no caso, com a ajudinha da Globo. Esperem que vamos ver muito disto nas Olímpiadas, por que nós não ganhamos isso? Por que nós não ganhamos aquilo? Falta força mental, falta preparo psicológico… Porra, não ganhamos porque não ganhamos, tem gente melhor e que estava melhor no dia e fim de papo!

Um lento, porque nunca ganhou um campeonato de F-1. Embora todos elogiem sua capacidade de acertar carros e que, hoje, aos 40 anos, vai disputar uma prova de Fórmula Indy sendo o primeiro de sua equipe na classificação, em sua temporada de estreia.

Um submisso por ter deixado o Schumacher passá-lo mais de uma vez sendo ele o mais rápido, mesmo que, recentemente, ele tenha alegado que foi ameaçado duramente pela escuderia caso não o fizesse. Leia-se o duramente como uma ameaça de quem tem muito dinheiro, ou seja…

Portanto, Rubens, corra as suas 500 milhas e faça o que você mais gosta, porque muita gente não faz e desconta isto em caras como você, ao mesmo tempo em que idolatram campeões do Big Bunda Brasil.

Que corra até os seus 90 anos. Parabéns.